13 de junio de 2018

(Review 207) - Diários de Raqqa

Título original: The Raqqa Diaries: Escape from Islamic State
Autor: Samer
Editora: Globo Livros (Brasil) / Kailas Editorial (Espanha) / Hutchinson (EUA)
Páginas: 112

Goodreads / Amazon / Skoob / Saraiva
Diários de Raqqa conta a história real de Samer - pseudônimo do autor -, hoje jurado de morte pelo Estado Islâmico por ter feito este diário chegar até as mãos de milhares de leitores ao redor do mundo. Aos vinte anos, Samer - um jovem universitário apaixonado, com uma família unida e muitos amigos - está comemorando o seu primeiro emprego. A vida não poderia ser mais luminosa - até o dia em que o Estado Islâmico toma a cidade onde ele vive. Impotente diante da violência e das restrições que lhe tiram a liberdade e ceifam várias das pessoas que Samer mais ama, ele começa a preencher as páginas de um diário com tudo o que vê e sente. Seu relato sincero e contundente - que o jovem consegue enviar em trechos para um repórter da BBC, através de uma conexão clandestina de internet - é um documento indispensável para que o mundo entenda, de uma vez por todas, os perigos do extremismo. 

Resenha:


Diários de Raqqa é o debut de um autor desconhecido, que usa de um pseudônimo para nos contar a sua história verdadeira, são os registros mais brutais de seu próprio diário, dos momentos angustiantes quando o Estado Islâmico / ISIS adentrou pela primeira vez em sua cidade, antes pacata e desconhecida, mas que logo tornou-se famosa no mundo todo como Raqqa, a "capital" do infame califado. 

O autor, que nos escreve usando o nome de Samer, nos narra o dia a dia e as mudanças trazidas em sua vida e na vida das pessoas próximas à ele quando os terroristas declararam como deles aquele território. O que começou como uma revolução síria logo se viu manchado pela imagem cruel de um grupo que não distinguia idades, religiões ou caráter, mas tão apenas se focou em semear o caos e a destruição, usando como desculpa a religião do Islã. Samer nos conta em palavras breves porém cruas e sinceras como foi perder as pessoas próximas à ele, como foi testemunhar as brutais execuções orquestradas pelo grupo e como era realmente a percepção que as pessoas de Raqqa tinham do grupo e do mundo exterior que naquele momento bombardeava a cidade quase que diariamente.


Eu considero esses relatos, qualquer relato sobre a Guerra na Síria, como leitura que deveria ser estimulada no meio literário. Eu vejo as pessoas lerem e relerem sobre a Segunda Guerra, e em muitas resenhas as pessoas dizem o quanto "gostam" dos livros ambientados naquele período. A Guerra da Síria é um assunto de vital importância, não apenas para que alguém goste ou desgoste, mas porque é um conflito atual, que de uma maneira ou outra reflete na minha vida, na tua e na de milhões de pessoas. 

A narrativa de "Samer" é muito simples, praticamente básica mesmo. O autor não fica poetizando e nem tenta polemizar, ele apenas nos narra a sua verdade, nua e crua. O importante aqui nesse livro não é nem analisar a narrativa de Samer, mas a veracidade de seu testemunho. Desde que começamos a ler as primeiras linhas dessas passagens escritas por esse jovem sírio, somos praticamente arrebatados para a sua realidade, porque é justamente através de sua simplicidade narrativa que entendemos o quanto tudo aquilo é real, e essa noção de estar lendo e revivendo a vida daquele garoto, é o que nos permite amar as páginas desse livro, pois o leitor entende de uma maneira quase que instantânea a dor e a perda que ocorreu nas vidas de "Samer" e de seus amigos. 

O que ele nos conta é algo que supera qualquer livro de ficção ou suspense, é um relato tão verídico que fiquei me perguntando Como e Porquê o ser humano é capaz de agir com tamanha brutalidade. E eu acho que é justamente aí, à partir de testemunhos como este, que podemos compreender e "sentir na pele" a luta que vem enfrentando essas pessoas durante 7 longos anos (tempo aliás maior do que foi a Segunda Guerra Mundial).


Diários de Raqqa é um livro necessário e muito importante. É o retrato de uma realidade que vem afetando não apenas estes jovens sírios, pois o drama deles já tem reflexos fortes na Europa, nos EUA e até mesmo na América Latina, com o fluxo constante de imigração e refugiados. É um livro curto, que se lê em no máximo 2 dias, porém o impacto causado no leitor perdura até muito tempo depois da leitura. 

As ilustrações são perfeitas para o livro, pois parecem mesmo parte das lembranças e rascunhos do próprio Samer e, mais uma vez, através da simplicidade de cada desenho podemos vislumbrar ainda mais aquele entorno difícil e inesperado no qual Samer e outros foram lançados. 

Foi uma sorte encontrar este livro em português e o trabalho da editora ficou muito bom, reproduzindo com fidelidade o livro original. A capa, apesar de simples também, retrata com exatidão o abandono e o toque de aflição que acompanham a narrativa do autor. 

Diários de Raqqa merece ser conhecido, merece ser recomendado e merece ser acolhido nas estantes do país. Aliás, esse livro merecia ser leitura nas escolas, pois considero seu conteúdo, atualmente, mais importante do que diversas obras inseridas na grade escolar (sem querer desmerecer os grandes clássicos do passado). Enfim, todos que puderem e se interessarem, leiam esse livro. Ele é bem rápido de se ler, possui ilustrações tocantes e uma escrita que fala cara a cara com o leitor, usando de poucas palavras e de uma grande intensidade de sentimentos.





Até a próxima, 


Ivy

27 comentarios:

  1. Uau, ainda não tinha visto nada sobre. Mas amei a história. Deve ser emocionante e envolvente. Já anotei a dica!

    www.kailagarcia.com

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  2. Olá, Ivy.
    Eu gosto muito de ler livros que se passam na Segunda Guerra porque acho que temos muito o que aprender com o que aconteceu. Mas esse em especial acho que todos deveríamos ler porque é algo que está acontecendo. Deveria ser leitura obrigatória nas escolas sim. Não sou de ler muito livros de não-ficção, mas esse me interessou muito.

    Prefácio

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  3. Oi, Ivy. Só li um livro que falava sobre a cultura árabe, o estado islâmico e afins, que foi um livro que relatava como um brasileiro vivia na Arábia Saudita mas nunca ouvi falar desse livro. Eu acho necessário, como você citou, que as pessoas possam conhecer esses tipo de relatos, até porque precisamos ver o quanto esses radicais são perigosos e também quebrar alguns esterótipos que acreditamos existir. Não sei se leria porque não é meu tipo de leitura, mas fico animada ao saber que gostou tanto.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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  4. Oi Ivy, tudo bem? Embora não seja um livro que leria normalmente, parece ter uma abordagem muito boa e direta, o que realmente facilita a leitura e a gente só tem a aprender com livros assim. Excelente dica!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. OIe
    Achei muito interessante o assunto do livro e fiquei curiosa para ler. Ainda não conhecia.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

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  6. Amei a resenha. Extremismo é realmente um tema muito importante nos dias atuais. Super concordo com você. Apoio livros atuais na grade escolar.

    Blog: http://obaucultural.blogspot.com

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  7. Ola.. Tudo bem?
    Adorei a resenha, ja tinha visto esse livro, mas não sabia do q falava, não leio sinopses kkkkk, mas adorei o estilo e com certeza vai ser um q vou colocar na lista d desejados!!!
    Beijus

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  8. Mas, gente, que livro!
    Não conhecia, mas gostei.
    É realmente o tipo de leitura que todos deveríamos fazer, que é a verdade que o mundo não conhece bem.
    O Estado Islâmico ainda é envolto é muito mistério para nós, não sabemos nada, além da sua brutalidade.
    Imagino que seja uma leitura bem pesada!

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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  9. Oi, Ivy!
    Realmente a maioria das pessoas leem mais sobre Segunda Guerra, sendo que a Guerra da Siria está bem aí todos os dias. Com esse seu comentário, eu fiquei com super peso na consciência e anotei o livro na lista de leitura.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  10. Oi, Ivy!

    Concordo com você sobre a importância da leitura de livros como esse. O relato do autor deve ser íntimo e forte, além de real, o que torna tudo mais intenso. Fiquei curiosa com a leitura!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  11. Não conhecia a história,mas parece ser bem interessante..
    Vou anotar sua dica,e espero gostar bastante..
    Tenho amigos que gostam bastante do gênero,vou indicar para eles também.
    Beijos!

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  12. Oi Ivy
    Eu confesso que nem leio sobre a segunda guerra. Nunca li nenhum livro especificamente dessa epoca. Não me atrai muito o gênero nao. Acho que é uma leitura bem mais pesada, então, não curto muito, mas não descarto que deve ser feita e que é importante.
    Esse livro não conhecia, mas sem duvidas e mega importancia e sim, concordo, as escolas deviam trabalhar essa literatura na propria materia historia. Contextualizaria muito mais os eventos.

    Abraços
    David
    https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  13. Oi, Ivy!
    Não é o tipo de livro que estou acostumada a ler, mas realmente é uma história muito importante e que todos nós deveríamos ler, né. Vou anotar a dica e pensar com carinho para ler logo.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  14. Oi, Ivy

    Eu também me questiono acerca da brutalidade humana e é exatamente por isso que não faço parte do time de "gosta" de livros ambientados em nenhuma guerra. São períodos muito tristes, não me sinto bem, sabe? Eu não leria esse livro por isso, e também pelo fato de ser um testemunho, ou seja, a dor é muito mais real. Mas não deixo de desmerecer a pertinência do livro, espero que muita gente leia e ponha a mão na consciência sobre a realidade.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  15. Oi, Ivy! Tudo bom?
    Não conhecia a obra, mas aparentemente é aquele tipo de must read impactante que precisa estar em todas as nossas estantes, né? Relatos assim são importantes pra abrir ainda mais nossos olhos pra situação que eles estão vivendo.
    Vou anotar a dica pra procurar!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  16. Olá Ivy,
    Ainda não conhecia esse livro, mas achei ele fascinante. Eu gosto muito dessas obras reais que retratam a maldade do ser humano. Acho que precisamos ler livros assim e torcer para que essas coisas terríveis nunca se repitam, não é?
    O livro parece ser bem forte e vou anotar a dica.
    Beiejos

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  17. Oi Ivy, tudo bem?

    Nossa, tua resenha deveria ser veiculada pela blogosfera elevando a importância da leitura desse livro. Parabéns!
    Com certeza está na minha lista de leitura. Ainda não li nenhum livro com relatos sobre a Guerra na Síria e/ou Estado Islâmico. Sinto que será uma leitura pesada e intensa, por isso vou me preparar antes, mas gostei muito da indicação.

    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  18. Oi, Ivy! <3
    Que livrão! Sempre fico estupefata com livros que narram a realidade, principalmente quando se trata de uma realidade tão cruel. Lembrei um pouco do O diário de Anne Frank que me pegou de surpresa quando o li. Esse eu ainda não havia visto por aí, mas sempre gosto de dar uma chance a livros não tão falados. Enfim, super me interessei por essa obra, simplesmente por ser o que você mesma disse: uma leitura necessária.
    Adorei a resenha e o jeito direto e sincero com que a escreveu.

    Obrigada pela dica incrível!
    Super beijo,
    Sâm
    Blog Escrituras da Alma

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  19. É a primeira resenha que encontro sobre este livro e fico pensando sobre a coragem do autor. É um assunto que não leio com frequência, mas que é necessário. Muito obrigada pela sugestão <3

    Sai da Minha Lente

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  20. Olá!
    Eu não conhecia e concordo com você não apenas com relação a Séria, deveria ter mais livros sobre todos os conflitos atuais ( mesmo que sejam antigos)
    Eu fui na Amazon, mas que coisa, o E-book tá mais caro que o impresso!!!
    Parabéns pela resenha!

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  21. Oii!
    Parece ser uma leitura bem impactante e necessária. Apesar de não fazer parte do meu estilo de leitura fiquei curiosa com suas impressões! Não conhecia e foi uma ótima dica <3

    bjs
    https://blogperdidanasnuvens.blogspot.com/

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  22. Nossa, deve ser uma leitura muito intensa e que mexe demais com o leitor. Eu não conhecia o livro, mas quero muito ler. Adorei a sua resenha!

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  23. Olá!
    Eu já conheço o livro, e tinha até colocado na minha lista de desejados, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Também concordo que esse tipo de leitura deveria ser mais lido e divulgado nos blogs. Eu gosto de ler livros que envolvem guerra, mas só de vez em quando porque as narrativas são bem densas e é emocionalmente complicado como esse aparenta ser. Espero ler futuramente.
    Bjs.

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  24. Oi Ivy, sua linda, tudo bem?
    O que senti lendo sua resenha foi medo, medo por essas pessoas, medo por todos nós. A coragem que ele teve e o risco de vida que está correndo agora por conseguir que essa realidade chegasse ao nosso conhecimento serviu de quê? O que fizeram por eles? Por isso tenho medo. Com certeza vou querer ler, mesmo sabendo o quanto irá me destruir. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

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  25. Oi Ivy, nunca tinha ouvido falar desse livro e fiquei passada com ele. Primeiro, o garoto realmente é muito corajoso ao relatar em momento de risco de vida as situações que ele e as pessoas a sua volta tem vivido. Realmente, concordo com você que guerras ainda continuam de vento em polpa hoje e devemos dar atenção as pessoas que passam por elas, sobretudo se elas tentam fazer um apelo verídico no meio literário. Muito interessante a resenha!

    Beijo da Yana,
    Marshmallow Com Café

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  26. Não conhecia o livro e sua resenha me deixou bem interessada, ainda mais pela recomendação de que deveria ser lido por todos. Vou anotar a dica para pode comprovar de perto.
    Bjs, Rose

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  27. Olá, tudo bem?

    Confesso que não tinhas visto nada sobre esse livro até o momento, e, menina, que isso? Uma biografia, podemos chamar assim, certo? Fiquei com a sensação que o livro nos apresenta uma dura e crua realidade, da qual ouvimos falar mas não temos dimensão nenhuma. Confesso que nesse momento eu não teria coragem de lê-lo, mas que você o colocou com maestria na minha listinha de desejados!

    Beijo!
    Ana Luz.

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