(Review 218) - O Rei das Cinzas (Saga dos Jubardentes #1)

em 20 de julio de 2018

Título original: The King of Ashes
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Harper Collins (Brasil) / Harper Voyager (EUA)
Páginas: 512
Saga: Jubardentes / Firemane Saga 
1.O Rei das Cinzas (The King of Ashes)
2. Sem título (??)

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O Rei das CinzasO mundo de Garn já foi composto de cinco grandes reinos, até que o rei da Itrácia foi derrotado e todos os membros de sua família foram executados por Lodavico, o implacável rei de Sandura, um homem com ambições de dominar o mundo. A família real de Itrácia eram os legendários Jubardentes, e representavam um grande perigo para os outros reis. Agora, restam quatro grandes reinos, que estão à beira de uma guerra. Mas há rumores de que o filho recém-nascido do último rei de Itrácia sobreviveu, levado durante a batalha e acolhido pelo Quelli Nacosti, uma sociedade secreta cujos membros são treinados para infiltrar e espionar os ricos e poderosos de Garn. Com medo de isso ser verdade, e a criança crescer com um coração cheio de desejo de vingança, os quatro reis oferecem uma enorme recompensa pela cabeça da criança. Na pequena vila de Oncon, Declan é um aprendiz de ferreiro, aprendendo os segredos da produção do fabuloso aço do rei. Oncon está situada na Convenant, uma região neutra entre dois reinos. Desde que a área de Covenant foi declarada, a região existiu em paz, até a violência explodir com traficantes de escravos indo até a vila capturar jovens homens para serem soldados em Sandura. Declan precisa escapar para levar seu conhecimento precioso para o barão Daylon Dumarch, comandante de Marquensas, talvez o único homem que pode derrotar Lodavico de Sandura, que agora se aliou à fanática Igreja do Deus Único e está marchando pelo continente, impondo sua forma extrema de religião sobre a população e queimando descrentes pelo caminho. Enquanto isso, na ilha de Coaltachin, o domínio secreto da Quelli Nacosti, três amigos estão sendo instruídos nas artes mortais de espionagem e assassinato: Donte, filho de um dos mais poderosos mestres da ordem; Hava, uma menina séria com habilidades de luta que poderiam derrubar qualquer oponente; e Hatu, um rapaz estranho e conflituoso no qual fúria e calma lutam constantemente, e cujo cabelo é de um tom brilhante e ardente de vermelho. 
Resenha:  

O Rei das Cinzas é a primeira parte da Saga dos Jubardentes, uma fantasia épica cheia de detalhes com uma narrativa que relembra clássicos consagrados, como Guerra dos Tronos por exemplo.
É aquele tipo de livro que começa de maneira metódica, contando em detalhes um universo meio medieval e bastante brutal, e pouco a pouco vai nos apresentando seus personagens, figuras peculiares e bem trabalhadas pelo autor que, por causa da riqueza da narrativa, terminamos por conhecer inesperadamente bem até o final deste primeiro tomo.

Nesta primeira parte conheceremos em detalhes o mundo de Garn e uma parte de seu território que antes ficava dividido em cinco grandes reinos, até a traição de Ludovico, rei de Sandura, que aliado aos outros três reis, armou uma cilada para Itrácia e seu líder, Steveren, e com isso conseguiu eliminar toda a familia real de Itrácia, os Jubardentes, e reduzir o antes próspero reino à um território desolado, em ruínas, abandonado e falido.
Apenas um membro de Itrácia sobreviveu, o bebê recém nascido da família. Quando um amigo íntimo do rei recebe o bebê, ele não consegue enxergar outra opção de manter a criança à salvo a não ser entregando aos cuidados de uma sociedade de assassinos, provenientes da misteriosa ilha de Coaltachin.
Desta maneira o menino cresce ignorando seu passado de nobreza, criado para ser um assassino e ladrão à mais, aos serviços de seus líderes.

Desde um primeiro momento já sabemos claramente quem é o menino rei, já que ele será um personagem de maior destaque desta primeira parte. 
Embora tenhamos este protagonista, os outros personagens da trama desprendem uma força e um magnetismo tão intensos que, mesmo os mais secundários, não passam despercebidos.
O autor nesta primeira parte não introduz o leitor diretamente na vida dos reinos grandes, mas nos apresenta primeiramente o território livre dos baronatos, que são certos lugares independentes do domínio dos reis, onde a figura maior são os barões, autoridades que gozam de quase tanto prestígio quanto um rei e, através da figura de dois barões, Daylon Dumarch e seu amigo Rodrigo, o leitor pode entender como funciona a rotina destes grandes homens.
Dumarch é um dos personagens que mais me intriga até aqui. Seus objetivos não são claros, ele é um homem inteligente, nobre e ambicioso, mas também capaz de cometer traições e forjar alianças questionáveis, é aquele tipo de personagem que nos deixa com o pé atrás porque ele é cheio de surpresas e nuances, e eu gosto disso.

Aliás, quando se fala em personagens suspeitos e enigmáticos, O Rei das Cinzas demonstrou ser um início de saga onde esse detalhe transborda. A misteriosa sociedade dos Quelli Nacosti, de Coaltachin, possuí uma hierarquia bastante interessante e seus mestres, sempre astutos e letais, fazem o leitor questionar quais suas intenções reais. As mensagens chegam nas entrelinhas e por muitas vezes me vi surpreendida pela teia de traições, alianças e improváveis conspirações. 

Esse é um primeiro livro bem introdutório. A sinopse deixa deduzir que o ritmo será bem mais intenso do que na verdade é, porém, é aquele tipo de livro que apesar do ritmo pausado, prende o leitor nos detalhes, na formação dessa sociedade única, cheia de diferenças entre si, um universo cuidadosamente elaborado pelo autor. 
Um outro detalhe que há de se falar é que. O Rei das Cinzas possuí uma narrativa bem mais madura do que a maioria dos livros de fantasia que li, e temas trazidos apenas de maneira bem sutil na literatura juvenil, aqui são tratados com muita naturalidade. O sexo por exemplo é retratado como parte corriqueira da vida de seus personagens, e não como uma grande novidade adolescente. 

Apesar de termos um protagonista principal, há outros três personagens que alcançam um destaque grande, cujos destinos acabam guiando os rumos da história com a mesma força que o protagonista. Inclusive, é maravilhoso acompanhar como os caminhos deles vão se cruzando, como de maneira improvável o destino parece uni-los e separá-los e eu fico aqui me perguntando qual será  importância de cada um dos quatro nos seguintes tomos da saga. 

Donte e Declan até aqui foram a alma da trama, para mim. Donte é aquele guri engraçadinho, que faz piada de tudo e nunca leva nada a sério, ele é sempre irônico e avesso às regras, gosta de desafios e de desafiar aos outros. Porém, Donte é um amigo leal, daqueles que briga pelos que ama, e que aceita aquele que pensa diferente. Esse senso de humanidade do personagem me conquistou.
E também há Declan, o ferreiro talentoso e frágil que se revela uma fortaleza de dignidade e inteligência. Torci e sofri por ele, e estou muito intrigada para conhecer mais sobre a importância que terá Declan no desenrolar de vários dos eventos futuros da saga. 

Hava e Hatu, os outros dois personagens de destaque, são bons, muito diferentes entre si, mas por alguma razão acabaram não me conquistando tanto, talvez por que senti neles um distanciamento muito grande, uma frieza com relação aos demais que me incomodou um pouco. Ainda assim, acho que são dois protagonistas necessários já que essa caracteristica mais enérgica e egoísta de ambos é o combustível certo pra fazer as coisas esquentarem com certeza.


Eu me senti imersa naquele universo cheio de perigos, senti a tensão que os personagens sentiam à espera de notícias. O universo criado por Feist é muito envolvente, e mesmo nesta primeira parte, onde só conheceremos uma parte de onde a história é ambientada, o leitor fica curioso pra saber mais e conhecer em detalhes também os outros reinos, que ainda não foram retratados até aqui.

O final dá um novo tom ao que se pode esperar da próxima parte. A trama fica mais sombria, os personagens, que no início eram ainda tão inexperientes, terminam aqui mais maduros e até mesmo mais cruéis. E as revelações que acompanham o desfecho desse primeiro tomo são bem inquietantes, prevendo que a próxima sequência deverá trazer ainda mais conluios e personagens revelando aos poucos suas verdadeiras facetas.

Enfim, O Rei das Cinzas foi uma experiência maravilhosa, pois se trata de uma obra cheia de detalhes e com uma trama que aos poucos adquire um ar drástico e sombrio, melancólico e conspirador. É aquele tipo de história onde as alianças e as surpresas é que prendem o leitor, e não propriamente as cenas de grandes batalhas ou ação contínua. Essa primeira parte, bastante introdutória, ofereceu o panorama perfeito sobre a ambientação impecável de parte do mundo de Garn e também sobre o perfil de seus heróis e vilões. Agora, resta ao leitor esperar com ansiedade pelo próximo volume, para descobrir mais sobre os destino desse rol de personagens tão incomum e, ao mesmo tempo, extremamente magnético.

Raymond E. FeistFeist é um dos nomes mais importantes da história da literatura fantástica. Nasceu no Sul da Califórnia e, atualmente, vive em San Diego. Foi também em
San Diego que se formou,
com honras, em Ciências da Comunicação em 1977.
Tendo sido traduzido em
mais de trinta países, Mago
foi o seu primeiro livro e serve de base para uma vasta obra que tem conquistado, ao
longo dos anos, as listas de bestsellers do New York Times e do Times of London.
Quando não está escrevendo, Raymond E. Feist é um colecionador de DVDs, estudioso da história do futebol americano, fã de ilustração e um grande apreciador de bons vinhos.

Web Page Oficial: http://www.crydee.com/

Twitter: Raymond E. Feist



Até a próxima, 


Ivy

15 comentarios:

  1. Oi, Ivy!

    Tenho visto muitas resenhas ultimamente desse livro e em todas só encontrei elogios. A história em si não é do gênero que costumo ler, mas por conta de todos os comentários positivos a respeito, não tem como não ficar curioso né!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  2. Oi, Ivy!
    Lendo sua resenha fiquei com a sensação de que é um livro muito bom. Eu não conhecia ainda e não tinha visto nenhuma resenha. Porém, eu já tive muitas dificuldades com A Guerra dos Tronos (apesar de amar), então não sei se leria.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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  3. Oi Ivy, tudo bem? Quando a li a sinopse do livro eu achei que fosse uma trama bem confusa, mas já é a segunda resenha positiva que eu leio! Que bom que serviu como boa introdução e espero que a editora lance o próximo logo!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Olá, Ivy.
    Eu amei esse livro. Sempre via elogios aos livros do autor e acabei me surpreendendo com a qualidade da escrita. Mesmo sendo um livro introdutório ele consegue prender o leitor na história. Acho que vem muita coisa boa pela frente. Meu personagem favorito foi o Declan.

    Prefácio

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  5. Oi Ivy, tudo bem?

    Não conhecia a obra, mas pela sua resenha já fiquei bem interessada, pois parece-me ser uma excelente leitura, daquelas que nos prende do início ao fim. Gosto desses primeiros livros mais introdutórios, visto que cumprem o seu papel e nos imergem naquele universo criado pelo autor. Gostei de saber que os personagens terminam o primeiro volume mais amadurecidos, isto é bem bacana. Dica anotada!

    Beijos,
    Gnoma Leitora

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  6. Oi, tudo bem? Fica feio eu dizer que não conhecia o autor? Hahaha. Gostei da história, acho ótimo que o sexo seja tratado de forma típica. Com certeza, não deve ser um livro para todo mundo, que gosta de fantasias com amor, né? Acho que é mais o meu tipo de leitura, com certeza. Fiquei com vontade de ler, especialmente porque faz um tempo que não leio nada do gênero que não seja ligado ao ambiente estritamente jovem. E essa capa tá linda! Adorei sua resenha, me convenceu a ler! :)

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  7. Adorei sua resenha,não conhecia o livro e fiquei bastante curiosa..
    Nunca tinha ouvido falar dele.
    Vou anotar sua dica,beijos

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  8. Olá,
    Não conhecia o livro e fiquei curiosa para ler e isso é inédito pois não leio livros de fantasia e esse me deixou curiosa dica anotada

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  9. No momento estou fugindo de fantasias, especialmente as épicas, então deve ser por isso que eu não me interessei tanto por essa história. Mas vou deixar a dica anotada, quem sabe um dia eu não volte a querer ler esse tipo de livro?
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  10. Oi amore,

    Que blog mais amor, parabéns!!!
    Quanto ao livro, não conhecia-o, nem mesmo a saga pra ser sincera.
    No entanto não é uma temática que me atraia no momento, por esse motivo passo a dica.
    Adorei sua resenha, muito bem escrita parabéns!

    Beijokas

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  11. Ola, tudo bem?
    Desde o dia em que vi esse lançamento, fiquei muito curiosa e com vontade de ler, e agora que li sua resenha, tenho a certeza de que vou ler!!!!! Adorei!
    Beijus

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  12. Nossa parece bem interessante se dá um lembrada em GOT, já me animei rs
    Parabéns pela resenha. Bjs

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  13. Eu adoro livros de fantasia, então ler essa resenha - que está maravilhosa, sério -, me deixou ainda mais empolgada por essa série. Ainda não tinha visto que esse livro foi lançado por aqui, ando meio perdida nos lançamentos ultimamente, rsrs.
    Tenho certeza de que vou amar a história, gosto quando são bem detalhadas e tudo mais.
    beijos

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  14. Oi, não conhecia o livro e para a primeira parte, já achei instigante, mesmo que só saiba de algo por meio de sua resenha, os elementos que você trouxe me foram suficientes para sentir muita vontade de ler.

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  15. Olá! Nunca tinha ouvido falar sobre o livro (ele já tem no Brasil?), mas achei bem interessante a premissa e acho que, apesar de não ser algo que me atraia, anotarei a dica para passar pra algumas pessoas que sei que gostam bastante desse estilo.

    Abraços

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