(Review 263) - Nevernight - A sombra do corvo (As Crônicas da Quasinoite #1)

em 6 de febrero de 2019

Título original: Nevernight
Autor: Jay Kristoff
Editora: Plataforma21 (Brasil) / St Martin´s Press (USA) / Fantascy (Espanha)
Páginas: 608
Ano de Publicação: 2016 (EUA) / 2017 (Brasil)
Gênero: Fantasia Dark Juvenil
Saga: The Nevernight Chronicle
1. Nevernight A sombra do corvo (Nevernight) 
2. Godsgrave  O espetáculo sangrento (Godsgrave)
3 . Darkdawn
Valoração: 
Goodreads / Amazon / Skoob 


Há histórias sobre Mia Corvere, nem todas são verdadeiras. Alguns a chamam de Moça Branca. Ou a Faz-Rei. Ou o Corvo. A matadora de matadores. Mas, uma coisa é certa: você deveria temê-la.
Quando ela criança - Darius Corvere - seu pai - foi acusado de insurreição contra a República de Itreya. Mia estava presente quando o carrasco puxou a alavanca, viu o rosto do pai se arroxeando e seus pés dançando à procura do chão, enquanto os cidadãos de Godsgrave gritavam: "Traidor... Traidor... Traidor!"
No mesmo dia, viu a mãe e o irmão caçula serem presos em nome de Aa, o Deus da Luz. E, embora os três sóis daquela terra não permitam que anoiteça por completo, uma escuridão digna de trevas tomou conta da menina. As sombras nunca mais a largaram.
Mia, agora com dezesseis anos, não se esqueceu daqueles que destruíram sua família. Deseja tirar a vida de todos eles. É por isso que ela quer se tornar uma serva da Igreja Vermelha - o mais mortal rebanho de assassinos de toda a República. O treinamento será árduo. Os professores não terão misericórdia. Não há espaço para amor ou amizade. Seus colegas e as provas poderão matá-la. mas, se sobreviver até a iniciação, se for escolhida por Nossa Senhora do Bendito Assassinato... O maior massacre do qual se terá notícia poderá acontecer. Mia vai se vingar. 


Minha opinião:

Nevernight - A sombra do corvo é a primeira parte de uma trilogia de fantasia dark que nos apresenta como protagonista Mia Corvere, uma garota de dezesseis anos que, após ver sua família ser arrasada pelos líderes de Itreya, jura vingar-se dos três homens que considera responsáveis por sua ruína. A chance de Mia: entrar para a Igreja Vermelha, uma escola de assassinos, onde os mais mortais podem tornar-se Lâminas, assassinos sanguinários ao serviço de Niah, uma deusa chamada de Nossa Senhora do Bendito Assassinato, e receber o treinamento mais letal já conhecido, tornando-se mestres na arte de matar, à tudo e todos no caminho. Mia sabe que a Igreja Vermelha pode proporcionar as condições e chances que necessita para se aproximar principalmente do cônsul Scaeva, o poderoso líder que usurpou o poder na República e foi quem diretamente deu a ordem para executar seu pai e aprisionar sua mãe, mas o caminho para tornar-se Lâmina é árduo, e Mia terá que enfrentar as traições e anseios daqueles ao seu redor, outros jovens, assassinos de sangue frio e coração duro, exatamente como ela, prontos para usar seus melhores talentos pela chance de tornar-se um dos 4 Lâminas que serão escolhidos pela Igreja Vermelha. No meio dessa competição onde rivalidades afloram e a disputa se faz acirrada, onde talentos ocultos imergem e relações proibidas podem significar a perda de tudo, Mia deverá usar seu próprio código de honra se quiser sobreviver à Igreja Vermelha e seus testes atrozes, sem perder parte de sua própria humanidade e verdade. Em meio à isso, a garota corvo terá o apoio de uma misteriosa sombra, que a ajuda a ser destemida, uma escuridão real e leal que parece estar sempre ao redor de Mia, afastando seus medos. Mas qual é afinal o objetivo dessa sombra? É ela que torna Mia diferente de outros ali, que a faz ser uma arma ainda mais perigosa para todos? Enquanto Mia luta por vingança e reconhecimento, as apostas são feitas entre os poderosos shaiids (mestres no ensino de matar) e a garota que atrai a escuridão pode precisar de uma boa dose de astúcia e sorte se quiser realmente vencer em um lugar onde ser um criminoso temido é requisito essencial. 

Nevernight é aquele tipo de livro que ou amamos ou detestamos. Se trata de uma fantasia dark, com uma linguagem mais adulta, que usa e abusa de palavrões e insinuações que podem chocar um leitor não tão acostumado. Além disso, o livro nos traz uma trama realmente sombria sobre uma garota incrivelmente nefasta, portanto, aqui, nada de protagonistas bobinhas e inocentes, esperando pela grande revelação de um poder incrível. Mia é uma arma, vive para matar e desde o início ela assume que é uma assassina, que quer vingança e pouco a pouco nos traz à tona uma história que, com um toque de desespero e horror, esclarece porque a garota se tornou o que é. 
Nevernight tem cenas de conteúdo adulto, descrições gráficas de mortes e lutas e, além disso, o livro nos traz personagens nada bonzinhos. Esqueça altruísmo, ou garotinhas que em em nome do amor desistem de seus objetivos. Nem Mia e nem nenhum dos acólitos da Igreja Vermelha parece estar determinado à outra coisa que não tornar-se um Lâmina e converter-se numa ameaça à República dominada por Scaeva e seus homens, os luminatii.

Eu já sabia mais ou menos que encontraria cenas adultas e linguagem pesada no livro. Assim que lemos as resenhas, a grande maioria nos alerta para estes detalhes mas, o que mais me surpreendeu foi a veracidade com que Kristoff conseguiu construir sua história. Uma trama coerente e linear, cheia de detalhes e notas de rodapé que trazem um charme à mais e fazem Nevernight ser diferente de qualquer outra história.
Há momentos em que senti um pouco da vibe de Six of Crows nas páginas, porém, Nevernight é mais brutal e direto que a trama de Leigh Bardugo. 

É o tipo de história que demora um pouco pra ganhar ritmo e o leitor pode até passar por apuros até se acostumar com o estilo da narrativa, mas, uma vez superados os problemas iniciais a trama fluí e se torna viciante, até o final que, obviamente, nos deixa com a ansiedade no pico pela segunda parte. 

Eu leio muita fantasia, mas considero Nevernight muito diferente da grande maioria dos livros que li. Não é apenas o tom adulto e maduro empregado por Jay Kristoff, nem mesmo a dureza de sua narrativa brutal, acho que o que marca a diferença em Nevernight é justamente o perfil de seus personagens, a protagonista Mia, uma garota sem sonhos ou anseios, movida apenas  pela vingança, em sua forma mais pura, simples e mortal.

A ambientação que Kristoff foi capaz de criar também é fascinante. Godsgrave é a cidade onde nunca é noite, tendo apenas a quasinoite por conta de seus três sóis e ainda assim, as descrições do autor conferem um ar obscuro ao seu cenário, tornando Godsgrave em um lugar cheio de terror, trapaças e jogos de poder. Mia peregrina por tabernas, becos e vielas, habita em meio à assassinos e pessoas corruptas, perigosas, sem regras. E esse clima de "regras quebradas" é o que dá o tom ao livro. Tudo é possível em Nevernight porque seus personagens não possuem ética ou princípios e quando o leitor espera por qualquer coisa, ele é sempre surpreendido, por mais que tente intuir algo.

Houveram tantas reviravoltas ao longo da trama de Kristoff. Obviamente algumas consegui prever, pois ficavam mais ou menos evidentes, porém, as mais importantes me deixaram em choque, impressionada em ver como o autor escreve sem medo de arriscar-se, apostando no incerto, naquele caminho que claramente pode não ser o caminho desejado pelo leitor, mas sempre será o caminho para tornar sua trama mais intrigante e mais grandiosa, se é possível.

São 600 páginas que passaram rápido, onde tentei raciocinar junto à Mia para descobrir os mistérios e surpresas reservados à personagem e, ao final, terminei me apegando muito à garota que, apesar de ser uma assassina fria e implacável, consegue ser também original e única, ao ponto de cativar o leitor em muitos de seus momentos. 

Concluindo...

Recomendo Nevernight com ressalvas. Acho que o leitor que decide fazer a leitura desse livro deve estar ciente de que essa não é uma fantasia leve, de finais felizes, mas sim uma trama alucinante, cheia de sangue onde o tom pode ser mais pesado do que outros livros do gênero. É um livro que certamente causa impacto, seja negativo ou positivo, dependendo de cada leitor e pode figurar entre os favoritos de alguém sempre e quando o leitor estiver preparado para uma fantasia com tons mais macabros, porém, extremamente bem escrita e desenvolvida por um autor talentoso que, conseguiu me deixar curiosa e ansiosa por seus outros livros.

Jay Kristoff nasceu em Perth (Austrália) e passou boa parte da vida trancado no quarto com pilhas de livros ou em torno de uma mesa mal iluminada rolando dados poliédricos. Sim, ele jogava Dungeons & Dragons. Formou-se em Artes e, agora, tem a honra de figurar entre os autores best-sellers do The New York Times. As séries Lotus War e The Illuminae Files deram a ele o reconhecimento da crítica e a indicação a diversos prêmios. É vencedor do Aurealis Award. Suas obras de sci-fi e fantasia já foram publicadas em mais de 25 países. As Crônicas da Quasinoite foi sua estréia no Brasil.
Do alto de seus mais de dois metros de altura, Jay está surpreso com tudo isso.
Vive em Melbourne com sua agente secreta-assassina kung fu (também conhecida como esposa) e Samwise, o cachorro mais preguiçoso do mundo. 
Ele não acredita em finais felizes.

Web Page Oficial: https://jaykristoff.com/

Twitter: Jay Kristoff



Até a próxima, 



Ivy

20 comentarios:

  1. Oi Ivy
    Eu estou com vontade de ler esse livro por causa das resenhas que vejo por aí, estou começando a ficar querendo ler o quanto antes. Eu não costumo ler fantasia e o problema é que eu demoro a engatar, mas espero não ter problemas com isso. O legal é que eu adoro livros onde tem assassinos, então não me importo com as cenas mais pesadas porque já acostumei. Espero poder ler o quanto antes!
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  2. Sempre encontro novidades por aqui, normalmente suas resenhas são de livros únicos que dificilmente vejo nos outros blog e eu adoro isso.
    Confesso que li bem pouco de fantasia Dark, mas no geral eu gosto da premissa, mas posso ser uma dessas leitoras que se incomodaria com essa linguagem da narrativa, mas aí entra entra a trama sombria, que eu amoooo. Saber que apesar de tudo a história tem veracidade, coerência e apostando nas reviravoltas ao longo da trama é uma trilogia que merece minha atenção, então é recomendação anotada.

    Abraços.

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  3. Olá eu gosto muito de fantasia, mesmo sendo mais macabra sua resenha me atraiu, nunca li nada Dark como mencionou entretanto mesmo não conhecendo a obra daria uma chance a leitura, beijos!

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  4. Olá Ivy, tudo bem?

    Essa é uma série que eu quero muito ler e que está na minha lista de desejados,as capas também são top ótima resenha....bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  5. Olá, tudo bem? Fantasia não é o meu gênero literário favorito, mas alguns livros me chamam a atenção, e esse agora é um deles. O livro é grandinho, mas quando a leitura é boa passa bem rápido mesmo. Adorei tua resenha e fiquei louca para ler a obra!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  6. Oi Ivy, tudo bem?
    Acho que já existem tantas fantasias similares que é muito legal ver uma que sai da curva e ousa. Achei a proposta dark, com personagens não tão bonzinhos assim como protagonistas, muito interessante. Não sei se leria no momento, por ser um livro bem extenso, mas curti muito conhecê-lo por meio da sua resenha!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  7. Oi Ivy!
    Eu to muito animado para ler e conhecer esses personagens. A capa dessa série sempre me chamaram atenção e o autor é muito comédia. Adoro eles nas redes.
    Mia parece ser uma personagem muito fodona. To mega ansioso para saber mais da história dela. Desse mês não passa.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com

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  8. Olá, Ivy.
    Esse ano estou mais na vibe dos suspenses e acho que não li nenhuma fantasia ainda. Mas esse livro me interessa desde que vi alguns blogs falando sobre ele. Acho bem legal a história conseguir se sobressair e ser diferente dentro de u gênero que existem tantos livros lançados. Assim que der vou comprar ele.

    Prefácio

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  9. Oi, Ivy!
    Eu amo muito essa série.
    Apesar da idade da Mia, a série é fantasia adulta. O Jay vive batendo nessa tecla porque tem muito lugar que ainda vende como YA.
    Te prepara que o segundo é melhor ainda!
    Beijos
    Balaio de Babados

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  10. Minha nossa, preciso ler esse livro. Eu adorei a sua resenha, eu já conhecia um pouco sobre a história, mas a sua resenha está tão completa que fiquei ainda mais curiosa. Acho que deve ser uma leitura bem interessante e pelo que você falou eu acho que vou gostar.

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  11. Oi Ivy, tudo bem? Já li muitas resenhas positivas da série, e sinceramente, gosto mais Dark que juvenil! Quem sabe ainda pego e leio!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  12. Olá,
    Nossa, não conhecia o livro. Não sou muito habituada com fantasias, mas essa me interessou e muito. Amei a protagonista, gostei que ela é assassina e rola esse lance de treinamento e tals.
    Acho que sou uma das poucas que não tem incomodo com palavrões em livros.
    Espero ler em breve. Amei a dica.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  13. Eu inclui essa leitura na minha lista de livros para esse ano.
    Já foi recomendado várias vezes e acabei adiando hahaha.
    Gosto de fantasias assim, cruéis hahahaha. E pela sua resenha já deu pra sentir que gostarei bastante de ler *_*

    www.saidaminhalente.com

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  14. Oi, tudo bem?

    Minha amiga vive falando desses livros, eu quero muito ler porque a premissa dele sempre me agradou e o fato de ser uma fantasia um pouco mais adulta e mais densa, me deixa ainda mais com vontade de ler eles. Gostei de ler seus comentários, ficaram ótimos!

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  15. Olá, tudo bem?

    Eu quero muito ler "Nevernight", parece ser um livro bem legal, curto muito literatura fantástica e esse livro está com resenhas super positivas, isso me alegra. Gostei da sua impressão e sinceridade, não ligo se o livro é leve ou não, ainda prefiro esses livros mais pesados.
    Abraço!

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  16. Olá!
    Eu nunca li uma fantasia dark, já que não sou muito fã de fantasias. Mas esse teor mais pesado e com descrições fortes me deixaram interessada no gênero e no título em específico. Acho que vou arriscar! Obrigada pela dica! :)

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  17. Olá!
    Caramba eu conhecia este livro mas não sabia que era uma fantasia tão macabra assim rs. Mesmo assim ainda fiquei curiosa para ler pois parece ser uma fantasia bem diferente do que eu estou acostumada. Adorei a resenha!
    Beijos!

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  18. Oi, Ivy

    Nossa Senhora do Bendito Assassinato??? Como assim?? Ahhahaha
    Eu, ao contrário de você, não leio muita fantasia, mas esta me chamou a atenção desde o lançamento. Gosto desse teor mais adulto e do conteúdo gráfico. Uma pena que a edição BR seja tão ruim.


    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  19. Oi tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro ainda e confesso que não leio muitas histórias nesse estilo, sabe? Mas achei a capa bem curiosa e fiquei animada com a premissa, mas devo confessar que essas 600 páginas me desanimam um pouco, porque ultimamente estou sem tempo para ler, então livros muitos longos acabam me deixando desanimada, sabe? Enfim, parece ser uma obra bem diferente do que costumo ler e apesar de ser longa, vou marcar a dica.

    Beijos :*

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  20. Quero muito ler esse livro. Li muito poucos livros com essa pegada mais dark fantasia. Eu não me importo muito com a linguagem mais pesada nem com a violência mais explicita, desde que tenho um bom motivo narrativo. Adorei tua resenha!

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