(Review 290) - A Amante

em 12 de junio de 2019

Título original: The Mistress
Autor: Danielle Steel
Editora: Record (Brasil) / Delacorte Press (USA) / Plaza & Janés (Espanha)
Páginas: 272
Ano de Publicação: 2017 (EUA) / 2019 (Brasil)
Gênero: Romance Contemporâneo
Valoração: 
Goodreads / Amazon / Skoob 

A grande dama do romance está de volta com uma trama de riqueza e poder, onde o amor e a liberdade podem ser os desejos mais perigosos. A beleza de Natasha Leonova foi sua salvação. Resgatada das ruas de Moscou pelo bilionário russo Vladimir Stanislas, há anos ela vive sob sua proteção em um mundo de luxo, glamour e negócios escusos, dos quais ela nada sabe. A casa deles é o mundo. A bordo de um incrível iate, eles vão para onde querem. Mas, para fazer parte da vida de Vladimir, ela tem de aceitar suas regras: nada de filhos ou casamento. Em troca de segurança e conforto, ela é dele e de mais ninguém. Theo Luca é filho de um dos maiores artistas do século XX. Ele herdou do pai não só o talento para a pintura como também um valioso patrimônio. Ele e a mãe frequentemente expõem as obras de Lorenzo Luca no restaurante que a viúva mantém em homenagem ao falecido marido em uma comuna na França. Theo é muito dedicado ao trabalho e luta para ser reconhecido como um grande pintor; porém, um belo dia, ele comete um erro grave: apaixona-se pela amante de um dos homens mais poderosos do mundo. O talentoso pintor é o retrato de um mundo novo, que abre os olhos de Natasha para uma realidade com a qual ela pensava que só poderia sonhar. 

Minha opinião:

A Amante é um romance daqueles bem docinhos, perfeitos pra qualquer hora, que nos lembram as antigas novelas castelhanas ou romances de banca, onde não importa o que houver, sempre há final feliz.

A história nos apresenta como protagonista uma jovem garota russa chamada Natasha, uma verdadeira gata borralheira resgatada das ruas de Moscou pelo poderoso Vladimir Stanislas, um homem que também veio da pobreza, mas conseguiu se tornar um dos maiores milionários do mundo, graças à sua astúcia e bom faro para qualquer tipo de negócio. Amante da boa vida, do luxo, das obras de arte e das belas mulheres, Vladimir viu na então jovem Natasha tudo o que considerava ideal em uma mulher para ser uma amante e moldou sua nova protegida conforme a sua vontade.
Natasha é grata a Vladimir, ele a salvou de uma morte certa por pneumonia, a livrou da pobreza extrema nas ruas de Moscou e é generoso, adornando sua bela amante com jóias, vestidos de alta costura e todo tipo de mimos que muito dinheiro pode comprar. Natasha acha que é feliz, viajando em um iate de luxo ao redor do mundo e estando sempre disponível para o poderoso Vladimir. Ela nunca havia questionado seu destino e nem sentido falta de ter um amigo ou alguém em sua vida. Mas, quando Theo Luca, um jovem pintor filho de um artista ilustre aparece em seu caminho, Natasha se sente cada vez mais curiosa por experimentar uma vida normal.

Theo é parecido com seu falecido pai. Ele quer se dedicar à arte, a pintura, e não acha que em sua vida haja espaço para mulheres, casamento ou filhos. Mas conhecer Natasha no restaurante de sua mãe mudou seus ideais. Ele está obcecado pela linda garota russa e mesmo sabendo que ela pertence à alguém muito perigoso, ele quer estar perto dela, pois sente um fascínio quase insuportável, e apenas pintar Natasha em suas telas consegue acalmar a tempestade em seu coração.

O enredo é típico de filmes de uma sessão da tarde, a gata borralheira que vive em uma bolha, o artista sonhador e um rival perigoso. Haja o que houver, o amor prevalece. É a fórmula certa para conquistar leitores mais românticos e, usando de uma narrativa rápida e simples, envolver até mesmo aqueles que, como eu, não costumam ler muitas histórias de amor.

É um livro bem simplório, no bom sentido da palavra. Com uma história leve, fofa, clássica e despretensiosa.
O que eu mais gostei na escrita de Danielle Steel? Além de usar de uma linguagem fácil, a autora evita o dramalhão e o erotismo, optando por nos apresentar uma história mais curta, direta e sutil. 
Danielle poderia ter abusado do drama se quisesse, a trama dava condição para isso, mas ela prefere facilitar as coisas para o leitor, tornando a história um bálsamo para quando buscamos uma leitura que nos entretenha e relaxe, que embora não desperte grandes emoções, consiga cumprir seu papel em envolver o leitor, com uma ambientação charmosa do sul da França.

Eu não consegui conectar muito com nenhum dos personagens. Até gostei bastante de Natasha, ela é coerente e pé no chão, admite sua condição e está em paz consigo mesma, não fica com ares de eterna sofredora, e não exagera no excesso de inocência e nem no excesso de sensualidade. Ela é a garota linda, mas ao mesmo tempo a garota normal que poderia morar na casa ao lado, e isso a torna um personagem acessível e fácil de entender.
Tive uma dificuldade imensa mesmo com o protagonista masculino, Theo. Ele desenvolve um fanatismo nada saudável por Natasha e isso me exasperava durante a leitura. Da parte de Theo, me pareceu um amor doentio, sem explicação, baseado numa fantasia sem limites que coloca ele e os demais em uma situação estranha. Não me convenceu o amor de Theo por Natasha, justamente porque é instantâneo demais, ficou com cara de garotinho deslumbrado e não de um homem maduro apaixonado. Não era convicente tanta fixação por uma garota que ele sequer conhecia e como o livro transcorre em um espaço de tempo relativamente grande, esse fascínio persistir durante a passagem dos meses ficou ainda mais complicado de entender e acreditar.

Além do Theo, temos também a familia do garoto, a mãe dele, Maylis e seu quase padrasto, Gabriel.
A mãe de Theo é um dos personagens mais egoístas e egocêntricos que li ultimamente, tratava o namorido como um nada durante mais da metade da leitura e parece ser tão obsessiva quanto o filho (no caso dela a obsessão era com o ex marido falecido). Já o padrasto, Gabriel, foi um dos personagens que mais me agradou, pois ele é muito doce, paciente e gentil, o tipo de pessoa que a gente adora conhecer na vida real.

Eu nunca tinha lido nada que falasse sobre o mundo das obras de arte, dos gênios da pintura e suas vidas reclusas e peculiares. Foi bem real e convincente a maneira como Danielle retrata essa realidade, tanto em Theo como em seu pai, e eu achei bem interessante conhecer sutilmente essa dinâmica dos leilões e dos grandes negócios envolvendo a arte e seus poderosos colecionadores.

Em síntese, A Amante é aquele livro pra se levar pra qualquer lugar e ler em qualquer hora. Focado no glamour do mundo dos milionários e gênios da arte, conta uma história leve e simples que, apesar de não ser fascinante ou inesquecível, consegue cumprir seu papel, mantendo o leitor entretido em suas páginas, justamente por conta de sua simplicidade e sutileza. Com jeitão de romance de banca, é um livro sobre escolhas e coincidências, sobre seguir o destino e se entregar à vida, sem medos.

"- Ela pertence ao homem mais rico da Rússia. - Ele disse isso como se Natasha fosse um objeto, uma escrava. Odiava a maneira como aquela afirmação soava, porque, de certo modo, era verdade".


"Porque ele a pintou? Como havia conseguido enxergar tanta coisa em seus olhos? Ele viu toda a dor de sua infância... os terrores do orfanato... o coração partido por ter sido abandonada pela mãe... tudo. Todos aqueles sentimentos estavam gravados na pintura que ele fizera".

Danielle Steel é considerada a grande dama do romance. Dona de um estilo incofundível e amada por uma legião de leitores em diversos países, seus livros já venderam 650 milhões de exemplares em todo o mundo, foram traduzidos para mais de 43 idiomas e publicados em 69 países. Só no Brasil, a autora já vendeu mais de 2 milhões de exemplares. Seus vários best-sellers incluem "Uma mulher livre", "A Duquesa", "Reencontro em Paris", "Um dia de cada vez", "Um homem irresistível", "O segredo de uma promessa", "O anel de noivado", "Vale a pena viver", "Cinco dias em Paris", entre outros.

Web Page oficial: daniellesteel.com

Twitter: Danielle Steel



Até a próxima, 




Ivy

8 comentarios:

  1. Oi Ivy! Faz um tempão que não leio nada da autora, mas houve uma época que eu devorava os livros dela. Este, pelo visto, vai ser uma boa chance de eu voltar a ler as obras dela Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  2. Eu não tenho costume de ler livros estilo romance de banca, em que não importa o que aconteça sempre vai haver o final feliz. Eu particularmente adoro obras que se passam no luxo e glamour da riqueza, porém os pontos negativos mencionados por você fizeram com que eu sentisse um pouco de receio em ler a obra. Até prefiro ler histórias em que consigo me conectar com os personagens, e o fato de haver um romance doentio e obcecado pode me incomodar um pouco. Porém quem sabe eu não mudo de ideia e resolvo dar uma chance a esse título.

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  3. Oi, Ivy!

    Adorei a resenha!! Ultimamente venho precisando de livros assim mesmo, bem leves, rápidos e fofos, cujo final feliz já é uma certeza hahaha são perfeitos para quando estamos naquele bloqueio literário difícil de sair.

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  4. Olá, Ivy.
    Eu já fui muito fã dos livros da autora, mas fazia bastante tempo que não lia nada dela e infelizmente achei esse bem fraco. Faltou dialogo e faltou um maior desenvolvimento nos romances. Mas é um bom livro para passar o tempo.

    Prefácio

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  5. Hello!
    Eu tenho uma amiga que é apaixonada na Steel... não posso ver essas capas e fontes típicas no nome da autora que logo associo a essa amiga.
    Não é meu tipo de leitura, contudo.

    Grande abraço e boas leituras

    Carol, do Coisas de Mineira

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  6. Oi Ivy!
    Até hj eu só li um livro da Danielle Steel, que é um dos meus favoritos da vida!
    Depois disso, fiquei com medo de ler outro dela e não gostar, rsrs
    Achei legal a capa desse, e apesar de n ter sido fascinante ou inesquecível, q bom q cumpriu seu papel de entreter!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com
    Ps: tá rolando sorteio de 5 anos do blog! ;)

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  7. Oi
    parece ser uma leitura interessante, apesar de ter uns personagens que parecem não ser muito bons e dficil de conectar.
    Pelo menos a escrita da autora é boa, já li dela uma mulher livre e gostei bastante.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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