(Review 332) - A Mãe Perfeita

em 14 de noviembre de 2019

Título original: The Perfect Mother
Autor: Aimee Molloy
Editora: HarperCollins (Brasil) / HarperCollins (EUA) / Ediciones B (Espanha)
Páginas: 357
Ano de Publicação: 2018 (EUA) / 2019 (Brasil)
Gênero: Thriller Psicológico / Suspense
Valoração: 
Goodreads / Amazon / Skoob / Saraiva / Cultura 


Ser a mãe perfeita parece impossível, mas ainda assim elas tentam. Recebem e-mails com dicas sobre a criação dos filhos, trocam mensagens com sugestões e se apóiam quando precisam. Alguns meses após se conhecerem, Winnie, Francie, Colette e Neil decidem sair para beber em um bar local, buscando uma pequena folga na rotina. Mas na noite de Quatro de Julho, durante o verão mais quente da história do Brooklyn, o que começa com alguns drinques inocentes termina terrivelmente errado: um dos bebês é roubado de seu berço. Winnie estava relutante em deixar Midas, seu filho recém nascido, em casa com a babá, mas o grupo insistiu. Quando Midas desaparece sem deixar rastros, a vida dela entra em colapso. As Mamães de Maio são as únicas dispostas a escutá-la e ajudá-la. Porém, além de investigarem o desaparecimento da criança, elas precisam investigar umas às outras. Não se conhecem tão bem quanto pensavam e, conforme a investigação policial avança e a mídia faz do sofrimento de Winnie seu assunto principal, segredos são expostos, casamentos testados e amizades formadas e destruídas.  

A Mãe Perfeita é um thriller doméstico (domestic noir) ambientado no bairro do Brooklin, em Nova York, que apresenta como protagonistas um grupo de mães de primeira viagem. Essas mulheres se conheceram via internet, através do fórum The Village e possuem pouco em comum, a não ser o fato excepcional de que todas estão grávidas de bebês que nascerão no mês de Maio. Assim, o grupo se torna conhecido como "As Mães de Maio" e adquire um costume de se reunir algumas tardes em parques para dividir as dúvidas, receios e conquistas de cada fase da maternidade. Nessas reuniões elas relatam as experiências no parto, e os primeiros dias com o recém nascido e assim, pouco a pouco, nasce entre elas um vínculo de cumplicidade e amizade.

Quando Midas, o bebê de Winnie, simplesmente desaparece, justamente numa noite em que o grupo decidiu se reunir para uma noitada em um bar, o pavor toma conta da vida dessas mulheres. Como pode Midas sumir justamente na única noite em que Winnie decidiu se ausentar de casa? E porque Alma, a babá contratada, alega que não viu e nem ouviu nada? 
E assim, tendo que lidar com uma tragédia se abatendo no meio do grupo e as críticas da mídia, que decidiu fazer do caso um objeto de interesse nacional culpando as próprias mães que se divertiam na noitada, três dessas mulheres - FrancieColette e Nell - decidem tomar o caso por conta própria, e usam de todas as influências para tentar descobrir o paradeiro de Midas, antes de que seja tarde. O problema é que algumas das Mães de Maio escondem muitos segredos, incluindo Winnie, e quando esses segredos começam a aparecer, até mesmo a mais confiável de todas as mulheres passará a ser altamente duvidosa.

Minha opinião:

A Mãe Perfeita não foi um dos melhores thrillers que li, na verdade, o livro demorou pra me pegar totalmente e até a metade eu fui lendo sem vontade. Depois da metade o ritmo melhora, pois fatos interessantes se revelam, e aí sim eu fui ficando mais curiosa por desvendar o mistério por trás  do sequestro de Midas, e consegui ler com mais afinco.

Acho que um dos motivos que fez a leitura estancar é as semelhanças que possui com O Casal que mora ao lado. A premissa (bebê desaparecido no meio da noite justamente quando a mãe resolve baixar a guarda pela primeira vez) me fazia toda hora relembrar o outro livro. Então ficava a impressão de estar lendo algo muito similar.
Com o passar dos capítulos A Mãe Perfeita adquire estilo próprio (aliás confesso que os segredinhos de Winnie e seu grupo foram até que mais originais do que O Casal que mora ao lado) mas, ainda assim, foi apenas um livro mediano, que entretém e já está.

O detalhe da narrativa em terceira pessoa é outra desvantagem para mim. Eu não gosto desses estilo de narração, sinto que não consigo me conectar completamente com os personagens por mais envolvente que seja a trama, e, se o livro não estiver muito bem fundamentado e desenvolvido, é quase impossível a história me arrebatar estando contada na terceira pessoa. 
E a demora em ganhar ritmo acaba frustrando quem como eu não curte livros narrados dessa maneira. 

Eu realmente tentei gostar e entender os personagens, especialmente as mães. Porém, algumas atitudes me pareceram muito exageradas, surrealistas ao extremo, especialmente quando se tratava de Francie.
Achei Francie bastante forçada, as atitudes dela são extremas e fazem o leitor duvidar um pouco de sua sanidade. Colette e Nell foram melhores com certeza, pelo menos me pareceram mais naturais e realistas.
Winnie, a mãe do garoto sequestrado, também é um verdadeiro ponto de interrogação, porém, em seu caso, achei que a autora foi bastante inteligente, pois faz o leitor manter a personagem sempre sob suspeita, incapaz de enxergá-la totalmente como vítima, mocinha ou vilã.

O que mais gostei foi com certeza o final. Inesperado, astuto e original, a autora conseguiu praticamente do nada tirar um às da manga que me pegou de surpresa totalmente, remexeu a trama inteira e me deixou em choque. Aimee Molloy pode ter tido dificuldade em iniciar a sua trama, mas certamente soube como finalizá-la com maestria.

Concluindo...

Em thrillers, o grande trunfo de um bom final garante que o leitor se sinta satisfeito, pelo menos em grande parte. E dessa maneira, mesmo que A Mãe Perfeita acaba não sendo o livro da minha vida, foi uma leitura que garantiu bons momentos por conta de revelações arriscadas e um final de arrepiar. Sendo assim, recomendo o thriller especialmente para aqueles que gostam de um bom suspense onde ninguém é o que parece e trapos sujos do passado dos personagens vêm à tona nos momentos mais inesperados.


"Quão rápido o tempo passa. Isso é o que as pessoas sempre nos diziam. As mãos de pessoas estranhas tocando nossas barrigas, dizendo que devemos ser cuidadosas e aproveitar o tempo. Que tudo isso acaba em um piscar de olhos. Como antes de nós sequer notarmos, eles estarão andando, conversando e nos deixando".

Aimee Molloy é uma autora americana que ficou conhecida por seu thriller, The Perfect Mother. Aimee também é autora de However long the night: Molly Melching´s journey to help millions of african women and girls triumph, que foi elogiado por ninguém menos que Hillary Clinton e Jimmy Carter, entre outros. Ela é co-autora do livro em que se baseia o filme Rosewater, dirigido por Jon Stewart e protagonizado por Gael García Bernal. 
Aimme Molloy atualmente vive no Brooklin, em Nova York.

Web Page Oficial: http://aimeemolloy.com/

Twitter: Aimee Molloy


Até a próxima, 


Ivy

12 comentarios:

  1. Gostei bastante do artigo de hoje, sempre estou aqui acompanhando seu blog. Tenho aprendido muitas coisas legais aqui e te agradeço por compartilhar...

    Beijos 😘.

    Meu Blog: Blog Dicas da Edy

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  2. Oi, Ivy como vai? Gostei da premissa do livro, apesar das ressalvas que você mencionou. Como eu gosto do gênero darei uma chance a obra. Ótima resenha, abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Olá! Parece ser um livro interessante, mesmo com as colocações que vocês. Acho que seria uma leitura bacana para mulheres gestantes ( assim com eu) que também vão ganhar bebe em março! (rsrs) Curti o enredo e adoro estes suspenses que deixam a gente curiosa pelo final!

    Linda resenha!
    Até logo!

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  4. OI Ivy! Eu gosto de livros do gênero, mas gosto de ser fisgada desde o começo. Se demora para engrenar, já me perde. Fiquei curiosa sobre os segredos, mas não lerei no momento. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  5. Olá, Ivy.
    Vim ler sua resenha porque coloquei esse livro na minha lista de presentes de amigo secreto. Mas desanimei um pouco agora hehe. Não gostei tanto assim de O Casal que Mora ao Lado então não sei se vou gostar desse. Agora fiquei na torcida para não ganhar ele hehe.

    Prefácio

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  6. Hey Ivy!
    A frase que você postou é muito interessante e que pena que vc ja tinha lido um livro mais ou menos na mesma ideia
    eu li enquanto eu te esquecia com a mesma sensação que vc, pq eu ja tinha lido lembra de mim rssrsr
    Mas ta valendo, né?

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  7. Oi! Olha, confesso que estou bem dividida depois de ler sua resenha. Tudo, nos aspectos gerais que um bom thriller deve ter pra me interessar, a princípio, ele parece ter. Mas mesmo gostando das características dos personagens, dos caminhos indicados que cada um parecia tomar, e sua opinião sobre a narrativa, parece que tem coisa demais. Ainda bem que no final, ela deu aquela guinada e surpreendeu. Gostei mesmo, acho que mesmo correndo esse risco, vou ler.

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  8. Eu sou a loka dos thrillers. E não li O Casal Que Mora ao Lado (odiei a premissa...). Então, acho que posso ter melhores momentos com esse livro que já estava aqui na minha TBR. Estou super interessada.
    Mas, sobre livros que não são aquilo tudo pra gente, eu fiquei mais de 1 mês pra conseguir ter coragem de terminar A Mulher do Meu Marido. Simplesmente odiei... Acontece, né?? hahahhaa
    Um beijo

    Carol, do Coisas de Mineira

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  9. Eu não conhecia essa obra, mas uma pena que ela não tenha atendido todas as suas expectativas. É uma droga quando não conseguimos nos conectar com os personagens e entender todos os dilemas dos mesmos. Fico feliz que o final tenha surpreendido de alguma forma. Deixarei a dica anotada para um futuro e ler despretensiosamente.

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  10. Oi, a premissa desse livro me deixou bastante curiosa, grupos de mães e as dificuldades da maternidade são temas bem reais, mas que tenso seria se um bebê desaparecesse! Pena que o início não foi tão promissor, mas bom saber que o final não decepcionou.

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  11. Olá, tudo bem por aí?

    Eu costumo amar thrillers psicológicos, porém, tenho minhas ressalvas também quanto a certos pontos que algumas histórias tratam e elas acabam não me agradando. Eu gostei muito da resenha, porém, não me senti muito instigado por essa história. Eu sei que é um gênero bem delicado de se lidar, então...

    Abraços.
    www.acampamentodaleitura.com

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  12. Oi, Ivy
    Não li O casal que mora ao lado mas até eu sei o que acontece (mesmo que eu não me lembre kkkk). Eu gosto da premissa, pena que foi tão pouco desenvolvida. De toda forma não sou fã de suspense, então não entraria na lista.
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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