(Review 336) - A verdade sobre o caso Harry Quebert

em 22 de febrero de 2020

Título original: La verité sur l`affaire Harry Quebert
Autor: Joël Dicker
Editora: Intrínseca (Brasil) / Penguin Books  (EUA) / Alfaguara (Espanha)
Páginas: 576
Ano de Publicação: 2014 (EUA) / 2014 (Brasil)
Gênero: Suspense / Mistério
Valoração: 

Aos vinte e oito anos Marcus Goldman viu sua vida se transformar radicalmente. Seu primeiro livro tornou-se um best-seller, ele virou uma celebridade e assinou um contrato milionário para um novo romance. E então foi acometido pela doença dos escritores. A poucos meses do prazo para a entrega do novo original, pressionado por sua editora e por seu agente, Marcus não consegue escrever nem uma linha. 
Na tentativa de superar seu bloqueio criativo, Marcus decide passar uns dias com seu mentor, Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país. É então que tudo muda. O corpo de uma jovem de quinze anos - desaparecida sem deixar rastros em 1975 - é encontrado no jardim da casa de Harry, junto com o original do romance que o consagrou. Harry admite ter tido um caso com a garota e ter escrito o livro para ela, mas alega inocência no caso do assassinato. 
Com o intuito de ajudar Harry, Marcus começa uma investigação por conta própria. Uma teia de segredos emerge, mas a verdade só virá à tona depois de uma longa e complexa jornada. 
Um extraordinário livro de suspense, uma história de amor e um thriller excepcional, A verdade sobre o caso Harry Quebert escapa a todas as tentativas de descrição. Nada do que você leu antes poderá prepará-lo para este livro. 




A verdade sobre o caso Harry Quebert  é um livro de mistério tremendamente bem escrito pelo autor suiço Jöel Dicker. Embora não seja seu livro de estréia, foi através deste livro que o jovem autor se tornou conhecido internacionalmente. 

Conheceremos aqui como protagonista o carismático Marcus Goldman, um escritor de trinta anos, charmoso e bem sucedido, inteligente e perspicaz que escreveu um grande sucesso literário e agora enfrenta um bloqueio criativo para escrever seu segundo livro. Cobrado por seu editor, correndo o risco de não conseguir cumprir seu contrato e acabar por ser processado em uns bons milhões de dólares, Marcus está a beira do desespero e do colapso. Quanto mais ele tenta criar uma boa estória, mais seus escritos parecem medíocres.
Até que seu mentor e amigo pessoal, o grande escritor Harry Quebert, um dos mais cultuados da década, autor do best-seller As Origens do Mal, o convida para se hospedar em sua casa na pequena cidade de Aurora, um lugar pacato e inspirador. Quebert tem certeza que logo Goldman escreverá outro grande êxito e tenta confortar o amigo de todas as maneiras. Mas tudo desmorona quando o cadáver de uma jovenzinha desaparecida três décadas antes é encontrado enterrado no quintal de Quebert.
Nola Kellergan  tinha só quinze anos de idade quando se envolveu com Quebert, naquele momento um homem de trinta e quatro anos, e viveram um romance tórrido, cheio de paixão, conflitos e segredos que culminou com o violento assassinato da garota. Agora, Quebert é preso e está a beira de encarar até mesmo uma sentença máxima de pena de morte e Goldman tentará de todas as maneiras demonstrar a inocência de seu amigo, desencavando os pormenores da relação de Quebert e Nora, e também a intimidade da adolescente em Aurora. O problema é que quanto mais Goldman desencava o passado, mais obscuros os fatos vão se tornando, até chegar o momento em que Goldman terá que se perguntar até onde seu querido mentor, Harry Quebert, seria mesmo alguém acima de qualquer suspeita ou não.

Minha opinião:

Eu adoro um suspense bem bolado, daqueles que faz a gente criar todo o tipo de teorias e até o final ainda fica boiando sem saber o que é e o que não e é, e em A verdade sobre o caso Harry Quebert, o autor Jöel Dicker consegue fazer exatamente isso com o leitor.

Vou te contar que eu quase abandonei esse livro. Apesar da narrativa fluída e cheia de revelações inquietantes, eu não conseguia me prender completamente ao enredo até a metade do livro. O desaparecimento e posterior assassinato de Nola Kellergan até eram interessantes e quanto mais conhecia os habitantes da pacata Aurora mais intrigada eu ficava mas ao mesmo tempo eu tive dificuldade em empatizar com um dos principais personagens do conflito todo, o Harry Quebert, e isso ia me desanimando um pouco conforme a trama ia só se centrando no relacionamento dele com a Nola e em toda aquela coisa de amor, amor, amor... Eu que já não sou muito de romance achava a relação dos dois meio repetitiva, meio insensata. Bateu um déja-vu meio de estar lendo Lolita em certos momentos, conforme Nola parecia ser esperta e manipuladora e ao mesmo tempo vulnerável e volúvel, e Quebert, o adulto da relação, ora parecia ser dominado, ora parecia estar vivendo uma grande encenação. Acho que a intenção do autor é essa, fazer o leitor questionar as verdades e mentiras da tal relação entre Quebert e Nola já que só sobrou ele pra contar e a gente chega a duvidar de algumas coisas que ele vai contando já que sua credibilidade vacila durante a trama, e por isso mesmo durante boa parte do livro, até mais da metade, o livro foca bastante nos momentos de Nola e Quebert, no amor implacável que Quebert defende que existia entre eles. 

Depois desse ponto, quando a gente já está bem situado do que sentiam e planejavam, o autor começa a abrir o leque, nos permitindo conhecer outras facetas de Nola, Quebert e tantos outros envolvidos diretamente com o casal, e a trama ganha um outro ritmo, mais duro e sombrio, por vezes até arrepiante. É impossível chegar até a metade desse livro sem querer desesperadamente saber o que aconteceu com a Nola. E tudo isso porque o leitor se sente íntimo dos personagens, passa a conhecê-los profundamente e vê a curiosidade aguçar, conforme o autor parece brincar com a gente, oferecendo um monte de fatos e hipóteses que depois se desmontam completamente ou se mantém firmes até a última página. Impossível saber o que é real ou não conforme Dicker aprofunda em seu mistério, e aqueles habitantes tão pacatos da boa Aurora vão ganhando outro cariz, passando de gente gentil e hospitaleira pra pessoas de índole duvidosa. 

Eu adorei esse poder que o Dicker teve de transformar mocinhos em bandidos, e logo em mocinhos de novo e depois bandidos outra vez. Todos seus personagens são tão questionáveis, a gente duvida de qualquer um conforme o caso vai ganhando mais contorno e nem a própria Nola escapa do crivo do leitor que se pergunta em cada página quem era Nola Kellergan de verdade e, acreditem, a verdade sobre a Nola é tão cheia de reviravoltas e detalhes que fiquei estarrecida e boquiaberta com a genialidade do autor ao criar um personagem tão conflitante, tão carregado de inocência e astúcia, em doses quase iguais. 

A ambientação é perfeita. Aurora ganha um lugar constante na mente da gente e as descrições de Dicker, embora sejam bem sucintas, são suficientes pra situar o leitor no cenário onde tudo ocorre, seja na cafeteria frequentada por quase todos os personagens, seja na isolada mansão de Goose Cove, onde Harry Quebert alega ter vivido um grande amor e onde ainda esconde muitos de seus segredos. 

As reviravoltas que Dicker introduziu na trama são de entusiasmar qualquer amante de um bom livro de mistério complexo. A narrativa pode por vezes ser metódica, com toques de pura nostalgia ao nos situar em uma Aurora de 1975, onde a jovem Nola ainda vivia, mas com certeza aí reside o charme da trama. Alternando o passado de 1975 com os dias presentes de 2008, Dicker constrói uma trama intensa e cheia de pormenores, onde é bem difícil se deduzir qualquer coisa concreta.

Concluindo...

Minha dica é: mesmo que você comece a ler A verdade sobre o caso Harry Quebert  e ao princípio não se entusiasme nem um pouco, continue insistindo pois esse é um livro que começa com um ritmo morno para logo nos apresentar uma trama mirabolante, cheia de genialidade e surpresas, que até o final vai adquirindo um tom mais ágil e apresentando personagens pouco convencionais que inquietam o leitor, nos deixando com a dúvida constante e a curiosidade incontrolável de conhecer o desfecho do crime que abalou a pequena cidade de Aurora e que promete revelar o lado mais podre por trás de um assassinato misterioso e uma vítima imprevisível.

" Ninguém é livre, filho meu. Somos prisioneiros dos demais, e de nós mesmos. "



" Os bons policiais não se concentram no assassino, e sim na vítima. Você deve investigar a vítima. Deve começar pelo princípio, de antes do crime. Não pelo final. Você erra ao se concentrar no assassinato. Pergunte-se quem era a vítima. Pergunte-se quem era Nora Kellergan..."


Suíço escritor em língua francesa, nascido em Genebra, sua família é originária da França e da Rússia. Foi em Genebra que ele estudou e aos 19 anos depois de passar por Paris começou a estudar direito na universidade de Genebra onde graduou-se em 2010. Desde cedo é apaixonado pela música e pela escrita. Com sete anos fez sua estreia como baterista e com dez anos fundou o Gazete dos Animais, uma revista sobre natureza que durou sete anos e lhe rendeu o prêmio Cuneo por proteção da natureza e o prêmio do La Tribune de Genève como o mais jovem editor da Suíça. E então deu seus primeiros passos como escritor. Seu primeiro conto venceu em 2005 o Prêmio Internacional de Jovens Autores publicado na Suíça. Foi o prazer de ver seu conto ganhar vida em forma impressa que o fez ir atrás de seu primeiro romance. Depois de três anos e alguns problemas foi publicado em 2011, mas foi com seu segundo romance, A verdade sobre o caso Harry Quebert, que foi consagrado como autor bestseller no mundo inteiro, tendo seu livro traduzido para mais de 30 línguas e sendo comprado para uma adaptação.

Web Page Oficial: 

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Até a próxima, 


Ivy

4 comentarios:

  1. Oi, Ivy como vai? Adorei a resenha e me parece ser um livro incrível não é mesmo! Abraço!


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  2. Olá, Ivy.
    Como assim eu nunca vi falar desse livro? E agora preciso ler ele. Fiquei aqui morrendo para saber o que aconteceu com a Nola. Como amante de livros de suspense só de ler a resenha já fiquei mega curiosa, imagine lendo o livro então.

    Prefácio

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  3. Que legal um suspense onde o personagem é um escritor. Parece ser uma narrativa muito interessante. Gostei da dica!

    www.vivendosentimentos.com.br

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  4. Oi Ivy,
    Eu tenho curiosidade em relação a esse livro, pois adoro abordagens em relação a escritores mais bloqueio criativo e, ainda mais, bons mistérios. Mas acho que vou assistir adaptação antes, achei ontem aliás haha
    Se eu curtir invisto no livro pra saber mais.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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