(Review 341) - As coisas que encontramos (Fronteiras Artificiais #2)

em 6 de abril de 2020

Título original: As coisas que encontramos
Autor: Denise Flaibam
Editora: Independente / Autopublicado
Páginas: 237
Série: Fronteiras Artificiais
           1. As coisas que perdemos 
           2. As coisas que encontramos 
Ano de Publicação: 2019 (Brasil)
Gênero: Literatura Z / Juvenil
Valoração: 

O fim foi só o começo. Agora, eles precisam resistir. Quando chegaram ao Complexo Oz, Dylan e seu grupo acreditaram que poderiam recomeçar, ficar de luto por tudo o que perderam. Aquele seria seu recomeço, a terra prometida para recriar o mundo que uma vez existiu. Mas, conforme o número de sobreviventes aumenta e os estoques diminuem, a tensão se eleva até a traição, o que põe em risco a vida de todos os residentes. Os muros de Oz não são mais seguros, mas que segurança o inferno lá fora pode oferecer?
Enquanto o grupo se divide em busca de alguma alternativa, novos rostos se unem para dar vida a uma única missão: entender que ainda é possível viver mesmo em meio ao fim dos tempos. 





Eu estava entusiasmada para conferir o desfecho desta dualogia. A primeira parte me deixou alucinada, e estava curiosa para saber como terminaria a saga de personagens que em poucas páginas se haviam tornado tão queridos para mim. 
As coisas que encontramos  mantém a narrativa eletrizante e desesperadora que marcou a primeira parte, As Coisas que perdemos.
O mundo está mergulhado no caos, a humanidade luta pra sobreviver enquanto a maior parte sucumbiu ao vírus, uma praga que transformou humanos sãos e saudáveis em mortos vivos famintos.
O grupo liderado por Beatrice  e seu marido Jake  finalmente encontrou um lugar seguro para sobreviver ao apocalipse: Oz. Comandado com punho de ferro pelo soldado Sherwood, o lugar se transformou num ponto de esperança e refúgio. Mais gente vem chegando a todo momento, sobreviventes do fim do mundo. A chegada destas pessoas é motivo de alegria no início mas logo se torna um problema. Os campos de Oz não são férteis. A terra é ruim, e sobreviver ali com um estoque pequeno de comida se tornou um desafio. O grupo faz incursões ali perto na tentativa de encontrar itens necessários, mas logo a desesperança vai tomando conta e a possibilidade de deixar os muros seguros de Oz se faz inevitável. 
Quando uma reviravolta trágica ocorre, é hora de correr e tentar se salvar. Buscar um novo abrigo. Mas, os mortos vivos não dão trégua e se tornam cada vez perseverantes no encalço dos poucos sobreviventes. Além disso, há um novo perigo no caminho: alguns humanos que restaram são ainda mais perigosos que os próprios mortos vivos, e cruzar os caminhos de mercenários pode ser um destino igualmente terrível.

Minha opinião:

O cenário apocalíptico criado por Denise Flaibam é sombrio, cheio de caos e de medo, e como leitora a gente sente a angústia de seus personagens. As descrições das cenas todas são bem vívidas, ficam marcadas na memória do leitor, e Flaibam não tem dó e nem piedade de seus personagens.

As coisas que encontramos é uma trama apocalíptica, que apresenta a história de um mundo hostil, que ruiu por completo, cujo único objetivo de seus poucos humanos acaba sendo apenas um: sobreviver. A riqueza de detalhes torna a estória bem envolvente, e a gente se depara sofrendo com os personagens, se angustiando pela total escassez de recursos e o medo que domina cada instante deles. O cenário é bem montado, narrado com maestria, a gente sente todo o cuidado da autora em descrever cada sutileza daquele fim do mundo apresentando na trama. 
Os personagens são variados, cada um tem seu perfil e como grupo possuem veracidade, interagem bem. Alguns ficaram mais em segundo plano como Machete e Doc, por exemplo. Outros ganham bem mais destaque do que na primeira parte, como Taylor, Sherwood e Beatrice, cujos arcos se tornaram bem interessantes à medida que a trama avança. Temos também novos personagens, que oferecem um tom ainda mais dramático à tudo, eu gostei muito das estórias de Meredith e Rebecca, ambas trazem um novo tom aos acontecimentos, representam dois opostos em atitude ao mesmo tempo em que suas estórias estão intimamente ligadas. Meredith simboliza a revolta, a dor, a tragédia e a perda que veio com o mundo caído. Becky representa a esperança, a fé que nunca falha nem em meio à ruínas.

Impossível terminar a resenha sem falar dos meus personagens favoritos, Dylan e Benjy, que embora não tenham destaque imenso nesta segunda parte, ganharam minha torcida fervorosa e me prenderam em cada momento. É um casal que possuí uma química absurda, e eu gostei que a autora não tentou forçar a barra com muito romance, mas conseguiu apresentar um relacionamento cheio de companheirismo e afeto em poucas linhas, oferecendo ao leitor o vislumbre necessário, sem exceder demais.

Até aqui tudo o que li da Denise Flaibam conseguiu ganhar meu coração. A escrita da autora é vibrante, carregada de emoção e de surpresas também. A autora não tem medo de reviravoltas, e é incrível escrevendo as cenas de maior tensão, ela sabe como prender a atenção até os mínimos detalhes.

Essa se tornou uma das minhas dualogias preferidas de zumbis. É interessante notar que eu nem gostava tanto desse estilo de estória, mas depois de ler alguns livros realmente incríveis focados nesse tema, acabei me empolgando e já tenho na TBR muitos outros que seguem essa mesma premissa de arrepiar.

Concluindo...

As coisas que encontramos  se tornou um desfecho perfeito para uma dualogia que já começou cheia de surpresas e de momentos marcantes. Tá aí uma ótima dica de livro nacional de qualidade inegável, que merece mais destaque e reconhecimento. Para os fãs de The Walking Dead, Resident Evil e tantos outros, não dá nem pra pensar em perder essa dualogia. Corre lá na Amazon e garanta a versão no teu kindle, garanto que será uma leitura que pode te surpreender.

" O mundo depois da queda não precisava mais de separações como as de antes. Os países não tinham mais um nome, os povos não tinham mais uma única casa. Seu lar era onde encontrasse uma maneira de sobreviver. "





" Eles sempre encontrariam um lugar seguro para reconstruir, sempre precisariam lutar para manter o território em segurança. Sempre enfrentariam mortos e batalhariam para continuar vivendo. Haveria incursões o tempo todo até que construíssem um ambiente autossustentável. Haveria incerteza em tempos ruins. Haveria esperança. Haveria vida e morte. "





Denise Flaibam se apaixonou por histórias de fantasia quando foi apresentada a Harry Potter. Quis lutar em batalhas medievais quando conheceu O Senhor dos Anéis e sonhou viajar para terras místicas ao ler As Crônicas de Narnia. Nascida em 1995, moradora de Morungaba, cidadezinha no interior de São Paulo, sempre sonhou em se tornar escritora e ver suas obras estampando dezenas de estantes. Inspirada principalmente por histórias épicas como as de Rowling, Tolkien e Lewis, onde a magia a arrastou para tantos universos fantásticos, decidiu inventar o seu próprio mundo. Mergulhou na construção de Warthia aos onze anos de idade. Aos dezessete publica o primeiro livro de sua criação: A Profecia de Mídria, da quadrilogia Os Mistérios de Warthia. 

Web Page Oficial: Denise Flaibam Facebook

Twitter: Denise Flaibam




Até a próxima, 


Ivy

7 comentarios:

  1. Oi, Ivy como vai? Eu tenho curiosidade de conhecer a escrita da Flaibam, pois não li nenhum livro escrito por ela. A obra me parece ser envolvente e bem escrita. A premissa é bastante atrativa. Adorei a resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi Ivy, achei bem interessante e propício pelo período que estamos passando, seria um ótimo livro para ler na quarentena, e não conhecia a duologia, fiquei com muita vontade de ler viu!

    Beijos Mila

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  3. Oi Ivy!

    Eu jurei que era o livro da Ana Beatriz Brandao

    da autora eu só tinha lido Monica e Enzo e todos os dias aí fui ver e tinha essa duologia
    que legal!
    Eu fiquei curiosa e feliz de saber que a autora não se perdeu e, muito pelo contrário, finalizou com louvor
    Não leria essa distopia agora, to fugindo um pouco de distopias, mas adoraria um dia sim rsrs

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  4. Oi, Ivy!
    Eu gosto muito da escrita da Denise, li um YA dela bem fofinho e que aqueceu meu coração. Já vi muita gente falando dessa obra mas por que não sou tão fã de fantasia assim, eu não tenho muito interesse Quem sabe um dia.
    Beijo!
    https://www.capitulotreze.com.br/

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  5. Olá, Ivy.
    Eu sou suspeita para falar da Denise porque amo tudo o que ela escreve, até as resenhas dela me deixam querendo correr comprar os livros hehe. E com essa duologia não foi diferente. Mas sofri com algumas perdas hehe.

    Prefácio

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  6. Oi, Ivy

    Eu tenho dois livros da Denise no Kindle, mas são YAs. Eu, como fã de zumbis, tenho muita vontade de ler essa duologia e está nos meus planos futuros. Eu aprecio muito essa luta pela sobrevivência e amo uma reviravolta, então sei que vou ter vários surtinhos durante a leitura. Fico imaginando a tensão de ler um livro assim no momento... Vírus que dizima a população, escassez de recurso... Pra ficar próximo da realidade só faltam os zumbis aqui no mundo real! Hahahahah

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  7. Oii
    eu sou até suspeita para falar, mas eu adoro essa duologia, acho a história interessante e a escrita da Denise é envolvente, eu tenho até a edição física dele. Que bom que gostou da leitura, adoro Benjy com aquele jeito sério dele.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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