(Review 344) - Reiniciados (Slated #1)

em 11 de abril de 2020

Título original: Slated
Autor: Teri Terry
Editora: Farol Literário (Brasil) / Orchard Books (EUA) / Editorial Bruño (Espanha)
Páginas: 432
Ano de Publicação: 2012 (EUA) / 2013 (Brasil)
Série: Reiniciados (Slated)
           1. (Slated) 
           2. (Fated)
           3. (Betrayed)
Gênero: Distopia Juvenil
Valoração: 
Goodreads / Amazon / Skoob / Saraiva / Cultura


As lembranças de Kyla foram apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?




Reiniciados  é uma distopia já antiguinha, que foi escrita bem na época do boom das distopias, que começou com Jogos Vorazes. Agora, em pleno ano de 2020, vou contar que a trama de Reiniciados acaba não sendo tão mirabolante quando deve ter sido no seu lançamento mas, apesar de ter um monte de semelhanças com outras distopias, a obra também consegue impactar até certo ponto, justamente por apresentar um futuro realista, onde tudo é mais ou menos parecido ao que vivemos, ao mesmo tempo em que o governo descobriu algo inquietante: a possibilidade de "reiniciar" menores infratores, apagando completamente suas memórias, os transformando em novas pessoas. Sob a bandeira de "uma segunda oportunidade" dada a jovens criminosos, adolescentes são desprovidos de suas personalidades, se tornando um rebanho dócil, maleável e facilmente manipulável. Mas será que lá no fundo, escondido nas profundezas de suas mentes, fragmentos do passado podem tornar a surgir?

Kyla  é uma reiniciada de dezesseis anos. Ela não sabe quem era e nem porque foi reiniciada. Sua vida "começou" no hospital, onde foi obrigada a reaprender tudo, até como andar ou falar. Agora ela recebeu alta e foi entregue a uma nova familia. Ter uma irmã mais velha também reiniciada, Amy, poderia tornar as coisas bem mais fáceis pra Kyla. Além disso, seus pais são atenciosos, gentis e calorosos. O problema é que Kyla não é como os outros. Ela é capaz de sentir coisas que os outros reiniciados foram privados de sentir. Raiva, ira, tristeza, incômodo, frustração... Kyla não consegue sequer ser submissa e sorridente como os outros que compartilharam dessa experiência. E quando os sonhos de Kyla vão se revelando na verdade fragmentos de antigas lembranças de seu próprio passado, Kyla só quer esquecer isso e manter um perfil discreto. Ela não pode chamar a atenção dos lordeiros, as forças leais do governo que costumam lidar com "distúrbios" gerais, mas quando os próprios colegas de classe de escola de Kyla começam a desaparecer por razões cada vez mais banais, a garota percebe que talvez os Reiniciados não sejam criminosos que receberam uma generosa segunda chance e, assim, Kyla começa a se perguntar cada vez mais o que a fez ser reiniciada. 
Quando ela se envolve com Ben, um carismático reiniciado da escola, Kyla pensa que encontrou um confidente e um aliado. Mas tanto Kyla quanto Ben sabem pouco do que está acontecendo, e quando tudo ao redor vai se tornando ainda mais assustador, é tarde demais para ambos voltar atrás.

Minha opinião:

Reiniciados é a primeira parte de uma trilogia distópica escrita por Teri Terry. A trama está ambientada no Reino Unido, algumas décadas no futuro. 
A premissa é muito legal porque apresenta como protagonista uma jovem que não sabe nada e que tem que descobrir pouco a pouco porque é diferente e o que fez para ter sua memória simplesmente apagada. A narração do livro é tensa, cheia de mistérios e com personagens duvidosos. O bacana é que a gente desconfia até da própria Kyla, fica no ar a dúvida de se ela é boa ou se sua essência é ruim, ela tem uns sonhos questionáveis, e não dá pra saber o que é fruto da sua imaginação, o que é lembrança e o que escondem dela.

A família da Kyla é outro grande mistério. A gente sabe desde o início que os pais da Kyla são bem mais do que aparentam e fiquei instigada em descobrir mais sobre eles. 
Aliás, os personagens secundários desse livro são ótimos de verdade. Temos uma irmã bem tosca para a protagonista, mas em contrapartida, o namorado da irmã, Jazz, tem um papel crucial e aos poucos vai ganhando relevância na estória.

Ben, o mocinho, não me desagradou completamente, mas faltou algo de carisma no personagem, achei ele apático. Para ser bem sincera, o romance sobrou nesse livro. A autora tenta acrescentar um amor juvenil bem desnecessário à trama, foi um dos pontos que menos me fisgou. Kyla precisava de amigos, descobrir mais de si mesma e de seu entorno, não de um namorado, a relação dos dois foi morna e, embora tenha ganhado mais fôlego no final, foi o ponto menos importante pra mim no livro.

Ainda há muitos outros secundários, como um professor, a doutora do hospital e os próprios lordeiros que, embora tenham grande importância para a trama toda, ainda não alcançaram grande destaque nesta primeira parte. Certamente os tais lordeiros terão mais relevância conforme a estória avança e algumas reviravoltas são reveladas.

Eu gostei da escrita da Teri Terry, ela sabe criar bons personagens e sabe manter o clima de suspense ao longo do livro, sempre revelando algum detalhe que aos poucos se mostra mais assustador. A trama vai ganhando uns contornos mais sombrios conforme avança e, ao meu ver, a estória ainda tem bastante pra se desenvolver e contar. Fiquei bem curiosa sobre os detalhes da cirurgia no cérebro feita para reiniciar estes jovens da trama. Até aqui se explica quase nada, mas a idéia intriga, e conforme a autora vai narrando, vai ganhando um tom de realismo que prende e faz o leitor refletir, imaginando uma possibilidade como essa, em um futuro qualquer. 
Os capítulos vão avançando e chega a um ponto em que parece que pelo menos metade dos personagens está envolvida em um grande complô e eu me peguei tentando desvendar o que havia nas entrelinhas. Há com certeza muito do que se descobrir neste universo criado pela autora, e eu espero que ela consiga manter esse bom nível nos próximos dois livros da trilogia.

Concluindo...

Embora tenha suas semelhanças com outras distopias que já li, algo em Reiniciados  me aguça a curiosidade e me faz querer conhecer o destino de Kyla, saber mais sobre a trama e desentranhar cada pequeno mistério criado pela autora nesta estória. Gostei do ritmo do livro e da maneira como está escrito, apresentando uma trama complexa contada de maneira bem simples, fácil de entender. Foi um daqueles livros que li em nada e que conseguiu me arrebatar, me fazendo refletir e visualizar esse futuro insano,  cheio de escolhas caóticas. 

"Uma coisa é a gente sair fazendo as perguntas. Mas depois, o que você deve fazer com as respostas?"



"Use o medo; alimente a raiva".


Continua em:


Fragmentada
Teri Terry já viveu na França, Canadá, Austrália e Inglaterra. Já teve várias carreiras, foi cineasta, advogada, optometrista e, na Inglaterra, trabalhou em várias escolas e também em livrarias. Teri deixou recentemente seu trabalho na biblioteca, na Inglaterra, para se tornar escritora em tempo integral e também para concluir seu mestrado sobre a representação do terrorismo na literatura distópica.

Web Page Oficial: https://teriterry.jimdo.com/

Twitter: Teri Terry





Até a próxima, 


Ivy

8 comentarios:

  1. Oi, Ivy como vai? Que bom que você gostou da leitura. Eu não conhecia o livro, mas ao ler sua resenha, fiquei interessado em lê-lo. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi, Ivy!
    Eu lembro da época que saiu esse livro, mas eu já estava super saturada de distopias. Hoje em dia é até um gênero que nunca mais li..
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do #SorteiodaAmizade no twitter; três livros, um ganhador

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  3. Oi Ivy, tudo bem?
    Adorei a sua resenha. Achei o plot bem criativo e instigante, especialmente porque o leitor não sabe exatamente o que a protagonista fez e qual a sua essência.
    Sobre o romance, acho que muitos autores acham imprescindível que exista um par romântico, mas nem sempre isso é necessário. Aí acaba tendo essas relações sem sal. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  4. Aaaa que maravilha não conhecia também o livro mais achei interessante ! Beijos

    Segredosdamarii.blogspot.com

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  5. Olá,
    Quase não leio nada do gênero, mas tenho vontade ver conhecer essa série. se não me engano, minha prima leu ele.
    Achei bem curiosa essa questão dos reiniciados porque fica nítido que eles também devem fazer com infrações não tão alarmantes. Deve ter muita sujeira, quero.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  6. Sou completamente fã de distopias! Vou anotar a sugestão ;)

    Cherry Wine

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  7. Oi Ivy,

    Eu li a trilogia na época e confesso que nem lembro direito o final do terceiro livro rs.
    Eu lembro que gostei no geral da história, mas o meu preferido sempre o foi o primeiro livro.
    Espero que goste dos outros.

    Bjs
    https://diarioelivros.blogspot.com/

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  8. Oi
    eu gosto de dessa trilogia e pena que não é tão reconhecida por aqui a escrita da autora é envolvente, já li um outro livro da autora Jogos Mentais e achei legal, que bom que gostou da leitura e espero que gostei do segundo livro também, acabei me surpreendendo com o último livro da trilogia. Uma pena que a editora que publicava os livros dela por aqui sumiu.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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