(Review 357) - Hermandad de la nueva era (Los fragmentos del destino #1)

em 28 de mayo de 2020

Título original: Hermandad de la nueva era
Autor: María Viqueira
Editora: Escarlata Ediciones (Espanha)
Páginas: 263
Série: Los Fragmentos del destino
           1. Hermandad de la nueva era 
           2. El Nexo
           3. El Sacrifício
Ano de Publicação: 2016
Gênero: Fantasia Juvenil
Valoração: 
Goodreads / Amazon 


Nalia Nemerston não é uma feiticeira normal. Não vive na Torre de Cristal, e nem desenvolveu nenhum poder e, o mais preocupante é a tatuagem que tem no pulso que a acompanhou desde sempre e cujo significado Nalia desconhece.
Decidida a descobrir a sua verdadeira identidade, ela embarcará em uma viagem arriscada através de um país dividido pela guerra. Nalia não terá outra opção a não ser firmar uma aliança desagradável com um charmoso caçador se quiser evitar aquilo que todos os seus inimigos estão buscando: acabar de uma vez com a portadora da marca.


Hermandad de la nueva era  é a primeira parte de uma saga de fantasia escrita pela jovem autora espanhola María Viqueira. Essa é a estréia de Viqueira na literatura e, após ter lido muitos elogios à respeito de sua trilogia em blogs de língua castellana, fiquei curiosa em conferir a primeira parte da saga (e de quebra melhorar um pouco a minha leitura no espanhol).

O reino de Thánator é habitado por diferentes criaturas. Temos os caminhantes da brecha, que conseguem ser velozes e hábeis, as feiticeiras com seus dons e sortilégios, os elementais que conseguem controlar elementos, os caçadores, uma raça forte conhecida por ser implacável, e os humanos. Durante a Era Escura, estes grupos lutaram contra si, muitos morreram, e uma rivalidade sem fim surgiu entre os bandos. Para que haja a paz, foi formado o Conselho, onde cada um possuí seu representante, exceto os caçadores, que não são aceitos e nem reconhecidos para tomar parte do Conselho.
Essa estrutura do poder tão complexa é a realidade de Thánator há muitos anos, porém, alguém planeja às ocultas tomar todo o poder para si e quer se declarar soberano absoluto.

Nalia Nemerston  é uma feiticeira incomum. Ela sabe que é feiticeira, tem o porte e todos os atributos, exceto que ainda não desenvolveu a marca, um sinal que caracteriza qual o dom herdado para a magia. Além disso, Nalia possuí uma estranha tatuagem no braço, algo que ela desconhece completamente o significado, mas que desde muito jovem aprendeu a esconder, já que a tal tatuagem suscitava a ira e a perseguição de alguns, e o espanto de outros. Nalia foi obrigada a fugir, e oculta por três anos no campo, no pacato vilarejo de Sérindar, a garota até se esqueceu de que tinha algo diferente. Ali, colhendo ervas para suas poções e mantendo amizades comuns, Nalia pode realmente ser feliz, se não fosse pelo desejo insaciável que tem de aprender mais da magia e estar com os seus em Llyverard, o reduto das feiticeiras. 
Quando Nalia decide partir para Llyverard, a fim de estudar mais e quem sabe desenvolver sua marca, ela sabe que o percurso será difícil. Muitos são hostis com as feiticeiras, e aquela estranha tatuagem no braço de Nalia a transforma num alvo fácil. Nalia não sabe o que a tal tatuagem significa, mas alguém que conhece esse segredo colocou assassinos no seu encalço e, enquanto corre para salvar sua vida e buscar proteção das feiticeiras, Nalia se vê obrigada a contratar justamente um Caçador, a raça rival das feiticeiras.

Alec  é calado, hostil, mas parece se preocupar com Nalia de uma maneira estranhamente genuína. Ele aceita guiar Nalia até Llyverard mas num caminho cheio de percalços, descobrir quem é e a que está predestinada pode ser a salvação ou a perdição da jovem. E quando inimigos poderosos vão se levantando, Nalia passa a temer por sua vida e também pela de Alec, mas os sentimentos novos e constantes que afloram entre os dois a impede de pensar, e enquanto vive um amor proibido, Nalia também se dá conta de que talvez Alec seja e saiba muito mais do parece demonstrar.

Minha opinião:

Hermandad de la nueva era é o típico início de trilogia. É um livro absurdamente introdutório, onde quase nada é revelado e o foco acaba sendo apenas apresentar os personagens, introduzir o leitor no universo vasto que a estória traz e, aos poucos soltar alguns mistérios que mantenham a atenção sempre constante do leitor. 

Eu gostei bastante a escrita da María Viqueira, acho que esse é um dos pontos mais positivos da obra. Viqueira escreve de uma maneira calorosa, leve e fácil para o leitor acompanhar. A escrita dela é tão fluída que dá pra ler o livro todo sem sequer notar. Eu adorei como a estória nunca se tornava pesada e, embora a autora não revele quase nada, ela consegue de alguma maneira conduzir a trama sem parecer enrolação. 

Essa primeira parte foi importante para nos apresentar parte do ambiente onde a estória fica situada. O universo que Viqueira construiu é cheio de detalhes, de lendas e criaturas mágicas como banshees e druidas, além disso há por trás um conflito político e uma luta pelo poder que muito se assemelha à alguns livros de fantasia épica. A parte política ficou pouco desenvolvida, talvez porque ganhará seu devido destaque nas próximas continuações, mas senti falta de um foco maior nos personagens que compõem esse núcleo. Fica claro que eles serão importantes, mas até aqui aparecem de maneira bem secundária. 

Aliás, faltou profundidade em muitos personagens. Alguns secundários estão ali e o leitor sequer entende suas motivações já que eles não possuem uma estória e nem nos é dada nenhuma informação concreta que nos permita criar alguma teoria sobre este ou aquela personagem. Fica um pouco maçante isso porque não consegui empatizar com os secundários e a interação entre eles e com a protagonista me pareceu superficial e rasa.

Os casal protagonista possuí personalidades bem distintas, e a escrita divertida de Viqueira em muitos momentos arranca sorrisos no leitor durante os diálogos de Nalia e Alec, mas senti que ainda faltava algo em Alec. Ele estava ali como uma espécie de mocinho, mas me pareceu apático, morno. Nalia sim está bem construída, e embora ainda falte um desenvolvimento maior de sua história e de seu passado, sua personalidade inquieta e transparente me conquistaram, foi uma protagonista fácil de acompanhar já que Nalia facilmente desperta simpatia.

Apesar da narrativa de María Viqueira ser envolvente e rápida, senti que alguns eventos ocorreram de maneira abrupta demais, especialmente no tocante ao romance.
Durante o livro a autora deixa claro que os personagens estão vagando há cerca de dois meses, mas fica difícil para o leitor encarar isso já que parece que nada muda e eles não tem nenhuma intimidade. Então, do nada os sentimentos florescem, e por mais que a autora deixe claro que se passaram meses, fica no leitor a sensação esquisita de que tudo muda repentinamente. 

O livro tem muita ação, sempre acontece alguma coisa, o que mantém a leitura sempre num ritmo constante e rápido. 

Apesar das falhas, María Viqueira criou uma trama cheia de potencial, que me deixou com a sensação de que ainda vou desfrutar muito dos próximos livros. O universo é muito amplo, ainda há muito para se mostrar e contar, além disso a autora parece estar cômoda no ambiente que desenvolveu e certamente irá profundizar ainda mais estes detalhes. Embora os personagens tenham parecido rasos pra mim, acredito que dá para melhorar bastante e desenvolver bem mais na segunda parte. Ficou a sensação de que a trilogia ainda merece uma oportunidade, e, algo na escrita vibrante de María Viqueira conseguiu me prender ao ponto de eu continuar muito interessada em seguir acompanhando as desventuras de sua feiticeira misteriosa.

Concluindo...

Hermandad de la nueva era  é um começo de trilogia que se inicia de maneira bem introdutória, mas aos poucos se revelou uma trama interessante que continua anotada na minha lista de sagas que vale a pena seguir acompanhando.

"Me afastei não apenas para proteger a mim mesma, mas a eles também. Havia conseguido justamente o contrário."


" Em meu braço esquerdo, uma marca que fazia com que Thánator inteira quisesse me ver morta. No braço direito; uma marca que me distinguia como protetora. Estava condenada desde o nascimento, mas também tinha uma forma de me defender. Apenas esperava que essa marca fosse mais poderosa e estivesse adiante da outra."


Continua em:


29475546. sx318

María Viqueira nasceu em Maio em 1989, em Cartagena, na Espanha. Desde muito pequena já escrevia poesias e relatos, e aos dezesseis anos começou a escrever seu primeiro livro. 
"Los fragmentos del destino. Hermandad de la nueva era" é o seu primeiro livro publicado e é a primeira parte de uma trilogia de fantasia épica juvenil.


Twitter: María Viqueira






Até a próxima, 


Ivy

5 comentarios:

  1. Ponderando os prós e os contras, não sei se seria uma história que me arriscaria por agora. Mas espero que o segundo livro não caia na maldição
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderEliminar
  2. Eu adorei a capa! E o livro parecer conter elementos que amo em uma fantasia. Infelizmente tenho dificuldade para engatar uma leitura que seja muito introdutória e que tenha muitas descrições, mas essa, como você disse, fica melhor, então eu vou tentar ler sim.

    Beijos

    Imersão Literária

    ResponderEliminar
  3. Oi, Ivy como vai? Não conhecia este livro, mas presumo uma leitura excelente, apesar de as pequenas falhas contidas no livro. Eu leria este livro. Amei sua resenha. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  4. Oi Ivy, tudo bem?
    Gosto muito de fantasias nessa vibe mais fantástica e medieval. O problema é que senti uma vibe meio clichê nesse livro, do casal proibido e o cara fazendo de tudo pra proteger a menina em perigo. :( Acho que, por esse motivo, não colocaria na lista nesse momento.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

    ResponderEliminar
  5. Parece um universo cheio de detalhes e incrível. Gostei da indicação.

    www.vivendosentimentos.com.br

    ResponderEliminar