(Review 361) - Elantris

em 5 de junio de 2020

Título original: Elantris
Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa (Brasil) / Tor Fantasy (USA) / Ediciones B (Espanha)
Páginas: 575
Ano de Publicação: 2006 (EUA) / 2012 (Brasil)
Gênero: Fantasia Épica
Valoração: 

Elantris era a capital de Arelon: colossal, linda, literalmente radiante e repleta de seres benevolentes que usavam suas poderosas habilidades mágicas em benefício de todos. Há dez anos, no entanto, a capital de Arelon caiu em desgraça. Uma maldição misteriosa devastou Elantris e os corpos de seus habitantes, que agora vivem a decrepitude em intensa dor. Os elantrinos tornaram-se criaturas sem poder, enrugadas e parecidas com leprosos. E a própria Elantris ficou sombria e imunda. 



Elantris  foi o livro de estréia do consagrado Brandon Sanderson e, foi também minha primeira experiência lendo um livro do autor.

A história vem narrada através dos três pontos de vista de personagens bem diferentes entre si, mas com destinos interligados. 

O príncipe Raoden, de Arelon, querido por seu povo e detestado por seu pai, Iadon, um rei injusto e inconsequente, de repente acorda diferente. Ele foi acometido pela temida Shaod, uma maldição que derrubou a cidade de Elantris, vizinha de Arelon, há dez anos atrás.

Elantris uma vez foi uma terra mágica e próspera, seus habitantes de pele prateada eram considerados deuses, e podiam, através do uso de aons, símbolos mágicos específicos, curar, salvar vidas e tornar a terra próspera e farta. 
Elantris caiu tomada pela Shaod, seus habitantes se tornaram algo parecido a semi mortos. Seus corações já não batem, as dores são mais intensas e mesmo o menor dos ferimentos pode se tornar de uma dor permanente, os rostos dos elantrinos agora é enrugado e manchado, e muitos se tornaram hoed (perderam a sanidade e vivem jogados pelas ruas enlamedas e lodosas de Elantris, apenas repetindo as mesmas palavras e sentenças uma e outra vez, como em um constante delírio). O poder e a magia de Elantris se foi, os Aons que curavam e embelezavam perderam sua eficácia, e Raoden, o príncipe de Arelon é lançado em Elantris, agora condenado à viver uma vida longa e dolorosa, sem expectativas. Ali, Raoden deverá sobreviver não mais como nobre, mas como mais um mero desconhecido. Adotando o nome de "Espírito", Raoden toma para si a missão de salvar Elantris, porém, o tempo é curto e as dores de Raoden só aumentam, agora ele deverá sobreviver numa terra de ninguém, onde leis brutais são aplicadas e disputas se tornam cada vez mais selvagens.

Nesse meio tempo, sua prometida, a princesa Sarene, chega à Arelon. Ela quis fazer uma surpresa e veio com antecedência para conhecer pessoalmente Raoden, mas quando chega é informada do falecimento do príncipe. Sem saber que Raoden está, na verdade, do outro lado da muralha que separa Elantris de Arelon, Sarene tenta sobreviver na corte do Rei Iadon, e para isso terá que esconder sua inteligência aguçada e fingir-se de tola, tudo numa tentativa de descobrir o que realmente aconteceu com Raoden e, também, salvar Arelon de uma guerra política e religiosa que ameaça destruir todo o reino.

O sacerdote Hrathen é leal à sua missão de converter almas à Jaddeth, seu Deus. Ele acha que o Shu Dereth, sua religião, é a mais correta e as outras são apenas simples formas de paganismos. Hrathen, apesar de sua lealdade, também questiona sua própria fé e não consegue esquecer a culpa que sente por haver causado uma massacre no povo de Duladel, quando na tentativa de converter almas pagãs, acabou causando um genocídio. Agora, seu líder Wyrn, lhe concedeu três meses para converter Arelon, e Hrathen pretende cumprir sua missão sem derramamento de sangue.

Minha opinião:

Elantris é um tremendo calhamaço de mais de 574 páginas que, apesar da escrita fluída de Sanderson, também é bastante complexo. Sanderson apresenta um cenário político de conspirações, traições, onde a religião é usada como instrumento para dominação de povos e no meio disso há vários elementos fantásticos que combinam com a trama ao mesmo tempo em que pra mim pareceram bastante complexos, diferentes mesmo das fantasias mais comuns que costumo ler. 

Um ponto mega positivo são os personagens mais maduros de Sanderson. Tanto Raoden, quanto Sarene e Hrathen são todos personagens mais velhos, a narrativa deles acaba sendo uma narrativa mais coerente e centrada e a maneira de agir dos personagens é mais bem planejada, nunca movida por impulsos, eu gostei desse aspecto porque são todos protagonistas que planejam a fundo, articulam e encaram conflitos internos enormes. Meu favorito foi Hrathen justamente por tudo o que o personagem representa. Hrathen é o sacerdote que tem o peso de converter uma nação inteira em um prazo relativamente curto, então ele tem que usar toda sua astúcia pra conseguir mover as peças. Só que ao mesmo tempo, ele mesmo possuí dúvidas. Essa dualidade e esse conflito interno no personagem ficou muito transparente durante sua narrativa e eu gostei demais de testemunhar todo esse drama que Hrathen enfrenta e suas motivações, até o momento do desenlace da trama. 

Raoden é um pouco mais previsível entre os do trio principal. Ele foi tomado pela maldição da Shaod e está preso em Elantris, tentando sobreviver à gangues brutais que agem por instinto apenas, mas, ele ainda tem aquela característica típica do herói, que confia em si mesmo, é nobre em todas as suas atitudes, assume sobre si a missão de salvar à todos e desperta sentimentos de veneração por onde passa. Ele é carismático, tem momentos incríveis, mas achei o personagem mais previsível do que Hrathen, porque sua personalidade não é tão diferente de outros heróis do gênero. Pra mim Raoden foi simplesmente o bom garoto mártir, disposto a depor os tiranos e trazer uma era de paz. Ainda assim reitero que sua narrativa é empolgante e vicia porque é através dele que o leitor terá um vislumbre da vida em Elantris, da decadência que tomou conta da cidade e por meio da narrativa de Raoden temos o maior mistério da trama: porque Elantris caiu? O que os amaldiçoou e como aconteceu?

Um personagem secundário que se destaca imensamente é Dilaf, um sacerdote menor que auxilia Hrathen ao mesmo tempo em que rivaliza com este. Dilaf é movido pelo fanatismo, e possuí uma obsessão em eliminar o paganismo e Elantris, um ódio incontrolável que através da escrita de Sanderson se torna assustador e realista. Foi um personagem que me chocou por suas atitudes e que faz o leitor refletir à respeito dessa questão da religião e da fé sendo usadas de maneira negativa, onde o ser humano dá asas à seu racismo, ódio e cobiça usando a fé como desculpa para cometer atrocidades. Enfim, Dilaf é um personagem para se prestar atenção.

Não tenho muito oque dizer à respeito de Sarene. Se Raoden já me pareceu de personalidade típica, ainda mais se pode dizer de sua prometida Sarene. Ela é a princesa rebelde, que gosta de assumir a liderança em tudo, de personalidade forte, voluntariosa, teimosa e destemida. Sarene é fundamental à trama, ela é extremamente necessária e sua narrativa também é importante, mas de todos foi com quem menos conectei. Não sei explicar exatamente porquê não me atraiu a narrativa de Sarene, mas seus capítulos foram os mais densos e cansativos durante a leitura. 

O universo criado por Brandon Sanderson é único, original e novo. O livro tem tantas páginas justamente porque a história é tão complexa que o leitor precisa ir com calma para entender tudo. 
Sanderson insere os aons, cada um funciona para uma deteminada finalidade, além disso há os seons que são fontes de energia que possuem vida própria, e seguem seus mestres, eles falam, pensam e articulam como seres humanos, mas são pequenas criaturas que atuam como servos dos mais nobres, enfim, todos conceitos mais complexos, que até o leitor conseguir visualizar acaba sendo necessário um número mais extenso de páginas. 

Apesar de conter 574 páginas, a trama não é parada e nem se enrola demais, na verdade houveram alguns eventos que achei inclusive precipitados. Elantris é aquela fantasia ao estilo Game of Thrones, onde muita gente morre. O problema aqui é que houveram algumas mortes que aconteceram super rápido, praticamente do nada, e pra mim ficou a sensação de que foi corrido demais, sem explicação.

O final, aliás, deixa um conflito grande em aberto e apesar de ter encerrado a trama principal, deixou em mim a sensação de que nem tudo ficou bem finalizado. Não sei se foi a intenção do autor criar esse clima de incerteza, mas eu esperava que tudo se resolvesse de maneira satisfatória no final já que o mesmo é autoconclusivo, mas não aconteceu, ao mesmo tempo em que faltou um pouco mais de emoção. Os eventos finais são cheios de ação e reviravoltas mas, pra mim faltou mais emoção, algo que me deixasse mega ansiosa.

Concluindo...

Elantris  foi uma leitura boa, porque foi uma fantasia que apresentou elementos que para mim eram inovadores, complexos e originais. O trabalho do autor na criação do universo é fabuloso e há momentos em que as descrições certeiras me permitiram entender e visualizar Elantris perfeitamente, porém, acho que minhas expectativas me frustraram já que alguns personagens não conseguiram me conquistar por completo enquanto o final, apesar de repleto de eventos trágicos, me deixou com a sensação de que faltava algo para que a história de Brandon Sanderson deixasse marca e se tornasse uma leitura imprescindível pra mim.


"Isso é Elantris, sule. Não tem essa coisa chamada ajudar. Dor, insanidade e um monte de imundície são as únicas coisas que encontrarás aqui".


Brandon Sanderson é um escritor de fantasia e ficção científica norte-americana, nativo de Lincoln, Nebraska. Ele completou seu mestrado em Escrita Criativa em 2005 na Brigham Young University, onde hoje leciona a mesma matéria. Ele foi indicado duas vezes ao prêmio John W. Campbell, ganhou o prêmio Hugo e duas vezes o prêmio David Gemmell, entre outros.
Sanderson é conhecido por seus mundos, narrativa e sistemas de magia originais, em livros como Elantris, a série Mistborn, a série Executores, The Stormlight Archive, Warbreaker, Skyward, Alcatraz, dentre outros. Também é conhecido por ter finalizado a épica saga A Roda do Tempo, de Robert Jordan, depois da morte do autor em 2007, tendo sido escolhido pela própria esposa e editora de Robert, Harriet McDougal, por ter ficado imensamente impressionada pelo trabalho de Sanderson em Mistborn.

Web Page Oficial: https://brandonsanderson.com/

Twitter: Brandon Sanderson


Até a próxima, 


Ivy

12 comentarios:

  1. Olá,
    Ah, meu Saturno em Capricórnio ama gente velha kkkk acho que já é um ponto pra simpatizar.
    Eu ando vendo pelas redes o pessoal pedindo o livro novo dele por aqui, e fiquei querendo conhecer a escrita.
    Gostei da premissa, e as mortes kkkkk, espero conhecer futuramente.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  2. Oi, Ivy como vai? Me parece uma leitura excelente, embora complexa. Nunca li nada deste autor e achei a premissa muito interessante. Sua incrível resenha aguçou meu interesse por lê-lo. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Oi Ivy,
    Estou meio travada nas fantasias desde que terminei Trono de Vidro, nossa, nada nada nada está me fazendo sair dessa ressaca 'fantástica'. E engraçado que eu não conhecia este livro que você resenhou, mas como gosto de assistir séries nessa pegada, talvez uma leitura venha a calhar.
    Vou dar uma procurada aqui na obra!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Oi Ivy!

    Eu li um livro dele - Mistborn- e sabe que o andamento foi bem parecido? Foi bom, mas para algumas coisas acabou sendo rápido
    Bom saber que ele é bom nisso de criar universos e essas histórias e andar bem , apesar de alguns pontos HEHEH
    Ivy, eu fui pesquisar , que pena que voce nao gostou de Talvez um dia! Foi um dos meus favoritos, de verdade kkkkkk
    verity é mt 8 ou 80, eu indicaria é assim que acaba de primeira, talvez, mas tem tema forte também... Mas verity é interessante porque é uma outra vertente da Colleen mesmo hehhehe

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  5. Olá, no meu caso o livro é novidade, gostei de saber um pouco mais a respeito da leitura, não conheço o autor mais fiquei bem curiosa pela leitura.

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  6. OI Ivy! Faz tempo que não me empolgo com fantasias, estou em busca daquele livro que vá me abalar. Elantris eu já havia visto, mas não li. Uma pena os personagens não terem te cativado e o final deixar você com a sensação de que faltou algo. Acho que não vou ler este por hora.
    Boa semana! Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  7. Não tenho uma boa experiência com o autor, então acho bem difícil eu enfrentar esse calhamaço em algum futuro próximo kkkk
    Beijos
    Balaio de Babados

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  8. Eu adoro as obras do autor, mas ainda não li essa. Lembro de ter iniciado, mas não gostei muito do início, então deixei pra lá. Mas acho que vou continuar em algum momento.

    Beijos

    Imersão Literária

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  9. Olá!
    Por mais que eu venha me aventurando mais em fantasia, Brandon Sanderson não é um nome que me desperte curiosidade, apesar de sempre ver críticas positivas. Suas histórias ainda não me despertaram nenhum interesse, então sei que no momento não daria uma chance. Mas fico feliz em ver que ele conquistou mais uma leitora.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  10. Olá, Ivy.
    Eu amei esse livro. É meu favorito do autor mesmo deixando a desejar em alguns pontos. Esse foi o primeiro livro único que li e que desejei que fosse série hehe.

    Prefácio

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  11. Eu tenho muita vontade de conhecer a escrita do Sanderson. Mas até hoje eu não consegui encaixar nada. Ouço muitos elogios... E por sua resenha, acredito que Elantris seja uma ótima obra para começar com o autor, obviamente. hehehee
    Embora a história seja intrincada e cheia de detalhes, creio que com essa cacetada de páginas, eu devo conseguir me encontrar uma hora e passar a admirar a obra. Pois eu quero muito mesmo começar a ler os livros dele.
    Obrigada por me relembrar que preciso dar prioridade à Sanderson na minha TBR da vida. PARABÉNS pela resenha detalhada e esclarecedora.
    Abraços

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  12. Oi Ivy, tudo bem?
    Eu já ouvi falar MUITO de "Mistborn", mas nunca me toquei do autor e para quem, como u, gosta de fantasia, é um pecado bem sério. Olha, "Elandris" me parece ter um senhor potencial de ser uma excelente leitura e eu gostaria muito mesmo de ler para saber como a cidade do título chegou ao nível onde está agora.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky...
    http://www.osvampirosportenhos.com.br

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