(Review 363) - A última mentira que contei - Riley Sager

em 12 de junio de 2020

Título original: The last time I lied
Autor: Riley Sager
Editora: Gutenberg (Brasil) / Dutton Books (USA)
Páginas: 332
Ano de Publicação: 2017 (EUA) / 2019 (Brasil)
Gênero: Thriller / Suspense
Valoração: 
Goodreads / Amazon / Skoob / Saraiva / Cultura 


Há quinze anos, quatro garotas foram passar as férias em um acampamento de verão. Apenas uma delas voltou para casa.
Duas verdades e uma mentira. Quem seria capaz de descobrir qual a mentira? Essa era a brincadeira que as garotas Vivian, Natalie, Allison e Emma faziam em sua minúscula cabana no Acampamento Nightingale. Mas a diversão chegou ao fim quando Emma, ainda meio dormindo, viu as outras saírem da cabana na calada da noite. Essa foi a última vez em que ela, ou qualquer outra pessoa, teve notícia das amigas.
Quinze anos depois, Emma é convidada a voltar ao acampamento, que seria reaberto pela primeira vez desde a tragédia. Ela vê nisso uma oportunidade de tentar descobrir o que realmente aconteceu com as três garotas. 
Em meio a rostos desconhecidos, cabanas inalteradas e o mesmo lago escuro, objeto de tantas histórias e lendas, ela começa a encontrar misteriosas pistas deixadas por Vivian, mensagens sobre as obscuras origens do acampamento e sua possível relação com os desaparecimentos.
Com o passar dos dias, Emma investiga as mentiras do passado e enfrenta ameaças no presente.  Quanto mais se aproxima da verdade, mais ela percebe que desvendar esse mistério pode custar sua própria vida.




A última mentira que contei  é um thriller bem tenso escrito pelo autor Riley Sager. 

A trama nos apresenta a trajetória de Emma, uma jovem pintora de 28 anos que há exatos quinze anos atrás foi a testemunha do desaparecimento de três amigas, quando as quatro adolescentes dividiam uma cabana, em um acampamento de verão frequentado por jovens privilegiadas.

Durante os quinze anos seguintes, Emma jamais conseguiu esquecer o mistério por trás do desaparecimento de Vivian, Allison e Natalie. E apenas pintando seus quadros ela conseguia expor parte da angústia e da culpa que sentia. Angústia por não saber o que houve, e culpa por ter mentido, por estar guardando um segredo sobre o que ocorreu naquele dia fatídico.

Quando Franny, a dona do antigo Acampamento Nightingale aparece em uma de suas exposições de arte a convidando para um encontro de negócios, Emma nem sabe o que esperar. E ela fica ainda mais surpresa quando Franny lhe conta que pretende reabrir o antigo acampamento e que gostaria que justamente Emma se unisse a ela neste projeto, dando aula de pintura para as garotas. Serão apenas seis semanas, Emma pondera e acaba chegando a conclusão de que retornar ao acampamento Nightingale pode ser a única forma de exorcizar de uma vez suas culpas e remorsos e quem sabe até descobrir o mistério por trás do desaparecimento das garotas. Só que Emma se vê rodeada de gente suspeita, com motivos de sobra para tentar fazer da estadia de Emma no local um verdadeiro pesadelo.

Minha opinião:

Eu tive uma experiência incrível com outro livro do autor, As Sobreviventes. Foi um livro que gostei demais, que apresentou um desfecho surpreendente e me prendeu do princípio ao final. Quando vi A última mentira que contei já publicado em português não tive dúvidas em encaixar na minhas leituras do mês, a sinopse intrigava e sendo o livro escrito por Sager, já esperava surpresas mil. Talvez tenha sido justamente as expectativas altas que acabaram frustrando um pouco a leitura dessa obra.

Sager é mestre em inserir o leitor em ambientes obscuros, solitários e medonhos. A ambientação é sempre impecável e a atmosfera de medo se faz presente o tempo inteiro. O tal Acampamento Nightingale, no meio do nada, rodeado de lendas e mitos, é um ingrediente e tanto. O autor soube desenvolver a ambientação, suas descrições precisas fazem a gente literalmente embarcar nessa odisséia com Emma e visualizar cada pequeno detalhe descrito. Quanto a isso, a ambientação é certamente o ponto forte.

A escrita de Sager também é muito boa. O autor sabe manter o suspense e a tensão constante, ele não deixa a estória se tornar maçante e brinca bastante com a mente do leitor. A gente vivencia uma espécie de terror psicológico ao lado dos personagens e fica ansioso em descobrir as cartadas finais para o esperado desfecho da estória.

O final é engenhoso, surpreendente até. Eu gostei demais. Só que antes do grande clímax, o autor enrola e cansa um pouco. Sager quer mostrar para o leitor que Emma é uma narradora pouquissímo confiável, então ele coloca diante de nós vários sinais para deixar claro que temos uma protagonista seriamente alucinada. Afetada pelo passado, com traços de personalidade psicótica-obsessiva, Emma vai de narradora a principal suspeita em um piscar de olhos, ela é inconstante demais. O problema é que o autor a tranformou em alguém tão desequilibrada e paranóica que fica impossível não se irritar com a personagem e, por consequência, a gente quer que Emma desapareça também.
Não consegui gostar dela de jeito nenhum. Emma se comporta de maneira bizarra e infantil. Não parece a mulher de 28 anos, mas ainda a jovenzinha de 13 anos que testemunhou um acontecimento trágico.
Emma vai decaindo ao longo da leitura, ela se torna mais louca com o passar das páginas até tornar-se insuportável, fica rodando em círculos obcecada por qualquer idéia que lhe venha na cabeça por quase todo o livro, e suas conclusões, às vezes, não tem nenhum sentido. Era estranho acompanhar a trajetória da Emma, ela era muito exagerada pra mim, doida demais.

Os outros personagens também não são marcantes. Na verdade, são rasos. Temos os dois filhos da dona do acampamento, Chest e Theo. Ambos estavam no acampamento quando as garotas desapareceram, e Theo inclusive foi considerado um dos principais suspeitos. Não deu pra desconfiar deles, nem sentir nada, porque embora eles tenham certo destaque, a personalidade deles está pouco elaborada, o leitor não tira muitas conclusões. Temos também a Franny, a dona do acampamento, que foi a personagem que achei mais crível, e também a melhor desenvolvida. Ela tem uma trajetória, tem motivações e se revela cheia de facetas, embora seja tão suspeita quando qualquer outro personagem de thriller, acaba sendo aquela personagem que a gente mais se apega, por ser mais centrada do que a protagonista Emma.

Há vários outros personagens interessantes que vão surgindo ao logo da jornada de Emma no Acampamento. Gostei bastante de suas colegas de cabana, as adolescentes Miranda, Sasha e Kristal, elas roubam a cena em vários momentos e se revelaram interessantes, especialmente Miranda.

A última mentira que contei não é um thriller ruim, pelo contrário, tem uma boa trama, prende o leitor e apresenta um desfecho razoável e original, mas os excessos na protagonista Emma me fizeram torcer o nariz e acabaram dificultando a leitura. Estar "na cabeça" da Emma, ser testemunha de suas emoções, foi bizarro e irritante.

Concluindo...

Em resumo, A última mentira que contei  não vai figurar entre os melhores livros que li neste ano, pois embora tenha uma trama inteligente, não conseguiu me cativar com seus personagens. Não sofri e nem torci por ninguém, me vi indiferente, o livro não conseguiu me causar impacto nenhum. Mas, ainda assim, vale a pena por seu final imprevisível e pela ambientação bem montada. Para os fãs de suspenses e thrillers que "brincam" com a mente do leitor o tempo inteiro, esse pode ser um livro muito bom.

" - Tudo é um jogo, Em. Quer você saiba disso ou não. O que significa que às vezes uma mentira é mais do que apenas uma mentira. Às vezes é o único meio de vencer. "



"Tantas mentiras. Cada uma pesando como uma pedra em meu peito, me puxando para baixo, tão pesado que eu mal podia respirar. Agora eu podia admitir tudo e me libertar ou acrescentar mais uma na esperança de um dia conseguir me acostumar com o peso. "


Imagen relacionadaRiley Sager (pseudônimo) é natural da Pensilvânia. Escreve e trabalha em edição e design gráfico.
Final Girls foi o seu primeiro thriller e foi um verdadeiro êxito, tendo sido publicado em mais de 20 países. Em Julho de 2018 publicará seu segundo suspense, chamado The last time I lied. Além de escrever, Riley adora ler, ver filmes e cozinhar. Atualmente, vive em Princeton, Nova Jérsei.


Twitter: Riley Sager







Até a próxima, 



Ivy

11 comentarios:

  1. Oi, Ivy tudo bem? Como gosto do gênero este livro deve me agradar, apesar de as suas ressalvas. Li o livro que você se referiu "As Sobreviventes" é um livro de tirar o fôlego.
    Que pena que a leitura não tenha suprido suas altas expectativas, às vezes isso ocorre não é mesmo! Gostei da dica e pretendo lê-lo futuramente. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Esse é um livro que ainda não conheço, apesar de gostar do gênero. Tenho tendência a preferir livros em que os personagens são bem mais explorados e entendo seu ponto. Adorei a resenha.

    Beijos

    Imersão Literária

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  3. Oi
    confesso que fiquei curiosa com essa leitura para saber o que aconteceu no acampamento, pena que a história acabou não superando suas expectativas, mas pelo menos curtiu a leitura, não conhecia esse autor.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  4. Olá Ivy, tudo bem?

    Esse é mais um livro que eu fico conhecendo aqui, achei a premissa interessante e gosto demais do gênero, pena não ter superado as suas expectativas, vou antar a dica, ótima resenha.

    Bjs.

    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  5. Oi, Ivy

    Que pena que não foi uma leitura tão boa quanto seu outro contato com o autor. É chato porque ele aparentemente só errou nos personagens, então ele tinha tudo para ter outro grande livro. Eu até gosto de personagens desequilibrados, gosto de confiar desconfiando, mas há um limite que não pode ser cruzado. Infelizmente pelo visto o autor não soube equilibrar isso, uma pena.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  6. OI Ivy! As Sobreviventes eu gostei bastante e já estou de olhos neste livro faz um tempinho, pena ao preço não ajudar. Eu adoro este tipo de história. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  7. Oi Ivy,
    Eu gosto muito dessa capa e até gostaria de arriscar a leitura desse livro, mas com a quarentena não estou conseguindo ler nada além de romances. É como se estivesse protegida na minha zona de amor e açúcar, rs.
    Uma pena que a leitura não foi uma boa experiência para você...
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  8. Oi Ivy,

    Uma pena que esse livro não tenha sido com o outro que você leu por causa da personagem.
    Mas mesmo assim fiquei curiosa com a trama. Vou colocar esse e As Sobreviventes na lista também.

    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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  9. Oi, Ivy!

    Que pena que o autor enrola tanto :( suspense tem mesmo que ser lento pra dar aquela tensão, mas tem autor que exagera né? Ainda assim, ainda bem que a leitura não foi de total ruim!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  10. No momento estou lendo esse livro, e posso dizer que é bom demais... super recomendo!

    Meu Blog: Website de Dicas

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  11. Oi Ivy,
    Sou bem curiosa para ler os mistérios do autor, mas ainda são salgados para o meu bolso.
    Eu gostei bastante da premissa desse, gosto de mistérios envolvendo mais de uma pessoa e tals. E fiquei imaginando se as pinturas dela dizem algo mais. E essa moça aí meio doida querendo reabrir o local. haha
    Uma pena a amenizada no ritmo perto do fim, mas me deixou curiosa.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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