(Review 370) - The Bone Witch (The Bone Witch #1) - Rin Chupeco - De repente, no último livro

10 de julio de 2020

(Review 370) - The Bone Witch (The Bone Witch #1) - Rin Chupeco

Título original: The Bone Witch
Autor: Rin Chupeco
Editora: Sourcebooks Fire (EUA) 
Páginas: 432
Série:  The Bone Witch
           1. The Bone Witch 
           2. The Heartforger
           3. The Shadow Glass
Ano de Publicação: 2017 (EUA)
Gênero: Fantasia Juvenil
Valoração: 

Nesta cativante primeira parte de uma nova série fantasia sombria, Tea pode ressuscitar os mortos, mas a ressurreição tem um preço.
Quando Tea acidentalmente ressuscita seu irmão dentre os mortos, ela descobre que é diferente das outras bruxas de sua família. Seu dom de necromancia significa que ela é uma Bruxa de Ossos, um título que a torna temida e a faz ser banida de sua comunidade. Tea encontra consolo e orientação com uma Bruxa de Ossos mais velha e sábia, que leva Tea e seu irmão para um outro lugar, para treiná-los.
Em seu novo lar, Tea reúne toda a sua energia para tornar-se uma asha - alguém que pode usar magia elementar. Mas as forças das trevas estão se aproximando rapidamente e, diante do perigo, Tea terá que superar seus obstáculos e fazer uma escolha poderosa.


Esse livro é completamente diferente de tudo o que imaginava sobre ele. Ao ler a sinopse a gente pensa em uma fantasia de bruxas. E é isso, mas a verdade é que esse livro é muito mais do que isso. Foi uma surpresa que no geral me agradou, embora, já fica o aviso: esse não é um livro para quem espera uma super fantasia. 

Se você gosta de livros que se aprofundam na cultura oriental (aqui temos a inspiração clara na cultura filipna), com uma ambientação esplêndida e rica, personagens diferentes e bem elaborados e uma narrativa poética e melancólica, esse é seu livro. Mas se você prefere intensas fantasias, onde sempre acontecem mil e uma reviravoltas e cenas de ação, The Bone Witch  pode te decepcionar.

O ritmo é bem pausado, ao ponto de se tornar cansativo, porém, considero que foi necessário, para que a autora pudesse desenvolver esse cenário rico e amplo onde a estória se ambienta, para que pudesse integrar o leitor nessa cultura delicada que é a cultura oriental. Há um toque de fantasia que traz um charme à trama, e as figuras apresentadas pela autora são diferentes do que estamos acostumados, por isso é aquele livro para se prestar atenção aos mínimos detalhes. 

A protagonista, Tea, é muto bem caracterizada. Ela tem uma personalidade serena, mas ao mesmo tempo se revela determinada quando quer. Não é uma heroína típica e inclusive chega a surpreender em algumas atitudes no decorrer do livro, eu gostei bastante dela e achei que Tea teve uma evolução notável até o final.

Temos um rol grande de personagens secundários, impossível falar sobre todos, mas nenhum está ali apenas por estar, todos desempenham um papel fundamental, alguns roubam a cena perto do final, outros acabam ficando em segundo plano, mas num contexto geral, é um time de personagens que se complementa e se completa muito bem. 

Os pontos mais interessantes desse livro, além da ambientação centrada na cultura filipina, acaba sendo também o papel das "bruxas" aqui. Tea por exemplo é uma bruxa de ossos, ela pode ressuscitar os mortos. Outras possuem domínio do Fogo, do Vento, são oráculos. Até aí, nenhuma novidade. Mas nesta estória, as bruxas não representam figuras temidas e ocultas. Ao contrário, elas vagam em meio aos nobres, e exercem um papel similar ao das gueixas. 

Durante a trama acompanhamos Tea em sua ascensão a uma asha. Asha são essas bruxas que vivem em comunidades denominadas asha-ka, e ali aprendem de tudo um pouco: o domínio de runas de magia, combate e defesa pessoal, história, política, canto, dança, cuidados de beleza. As asha devem vestir as melhores roupas, usar os melhores enfeites, tudo isso para se tornarem companhias dignas de poderosos nobres e reis, que pagam pelo privilégio de estar perto destas garotas. 
Eu achei interessante esse novo papel das bruxas, porque de certa forma combina. São mulheres temidas, mas reverenciadas porque tem poder. E ao ter poder, adquirem privilégios e se aprofundam em seus conhecimentos para poder estar diante da nata daquela sociedade. 
Essa primeira parte foca muito nisso, no amadurecimento e na escalada de Tea à esta condição.

Outro ponto interessante é a presença de corações de vidro. As pessoas celebram um ritual denominado como Heartsrune onde recebem um coração de vidro que realça a essência de cada um. Uma bruxa pode ler um coração de vidro, e através dele dá pra saber se alguém é bom ou ruim, se nutre boas intenções, se teve boas experiências de vida, e as emoções que sente. Uma bruxa possuí um coração de vidro preenchido por fumaça prateada, demonstração da magia nela. Achei interessante esse detalhe.

Há mocinhos e há vilões mas durante maior parte do livro os papéis não ficam claramente definidos e o leitor só vai descobrindo em parte quem é quem lá pelas últimas páginas que apresentam algumas poucas surpresas, boas o suficiente para me deixar curiosa em seguir lendo a continuação da trilogia. 

Como ponto negativo, embora para mim não tenha sido exatamente um problema, é o ritmo da trama. Essa primeira parte foca em Tea e sua ascensão a asha, seus estudos e a descoberta de seu poder, então é bastante introdutória e por vezes o ritmo é lento, muito pausado mesmo. 
Eu sinceramente gostei, ficou uma narrativa meio melancólica que torna a experiência de ler esse livro bastante singular. Mas esse ritmo mais contido pode ser uma desvantagem para algumas pessoas, então a experiência vai ser diferente para cada leitor.

Concluindo...

No geral, achei The Bone Witch  uma trama riquíssima, em ambientação, em contexto, em elaboração dos personagens, em cultura, e até de certa forma no suspense que a trama traz. É uma estória que nos transporta literalmente para um mundo mais místico e apresenta uma visão diferente das bruxas, desse vez com um toque oriental que funcionou muito bem. Embora seja uma trama de ritmo lento, me prendeu e me surpreendeu em seu final, que achei muito bom, embora completamente aberto (deixa a gente na espera total pela segunda parte).

"Todo mundo é um quebra-cabeça, Tea, feito de azulejos entrelaçados que você deve juntar para formar uma imagem de suas almas. Mas, para construí-los com sucesso você deve ter uma idéia de seus pontos fortes e fracos. Todos nós os temos - disse ela, acrescentando quase uma reflexão tardia - até eu."



"Se há uma coisa que aprendi com nossos negócios, é que devemos estar sempre prontos para o perdão, para que não sejamos consumidos por nossa raiva."

Continua em:

The Heart Forger


Erin "Rin" Chupeco nasceu em Manilla, nas Filipinas. Ela tem descendência chinesa, filipina e tailandesa. Quando criança, Rin era viciada em estórias de fantasmas e achava uma absoluta injustiça nos contos japoneses quando o personagem masculino sempre se dava bem enquanto as personagens femininas terminavam mal. Ela adorava também os livros de Edgar Alan Poe, Stephen King, Peter Straub, Christopher Pike e Shirley Jackson. Ela trabalhou como designer gráfico e blogueira de turismo e viagens antes de se tornar autora de livros juvenis em tempo integral. Seu primeiro livro foi "The girl from the will". Atualmente, Rin Chupeco é casada e vive em Manilla com seu marido e seus dois filhos. 

Web Page Oficial: https://www.rinchupeco.com/

Twitter: Rin Chupeco



Até a próxima, 


Ivy

15 comentarios:

  1. Oi Ivy
    Eu vim seca achando que ia encontrar justamente a fantasia que você falou que não tem hahaha chega desanimei agora :/ Mas foi bom você avisar senão se caso lesse iria odiar esse ritmo parado. Quando leio fantasias (raramente) eu gosto de algo que me impacte e me deixe louca sabe? Mas eu amei a capa <3
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br/

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  2. Oi, Ivy como vai? Me parece um livro maravilhoso não é mesmo! Apesar das ressalvas eu certamente me agradaria da leitura desta obra. Que bom que gostou de o ler. Sua resenha ficou excelente, parabéns! Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Que capa linda!!! Eu fiquei muito interessada da história haha. Agora eu preciso desse livro.

    Abraço

    Imersão Literária

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  4. Oi Ivy,
    Eu não sou de ler muitos livros sobre bruxas, mas parece uma cultura diferenciada. Parece algo totalmente novo, pelo menos, para mim. Fiquei empolgada para conhecer... E gostei da capa, uma pena que é em inglês e eu ainda não tenho tanta fluencia.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  5. Oi Ivy, como vai? Eu acho que The Witch Bone, é o tipo de história que eu gostaria de ler principalmente, quando você diz que a autora tem uma escrita pausada e mostra com riquezas de detalhes todos os cenários e ambientação da história, gosto de livros que abordem a cultura oriental, gosto mais ainda de histórias sobre bruxas e encantamentos, por isso, estou aqui sofrendo por esse livro não ter edição em português.

    Viviane Almeida
    Resenhas da Viviane

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  6. Oi Ivy.

    Pela sua resenha parece ser um livro que iria me agradar tranquilamente. Confesso que fiquei bem curiosa para lê -lo ainda mais sabendo que possui uma trama riquíssima. Espero ter oportunidade de lê-lo em português.

    Bjos

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  7. OI Ivy! Eu gosto de livros com bruxas e quase não tenho lido nada assim ultimamente, mas prefiro histórias agitadas e não de ritmo lento. Ainda assim, esse me deixou curiosa. Quem sabe eu leia. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  8. Olá, tudo bem? Nossa, eu gosto demais da temática, por isso acho que com certeza iria amar a trilogia. Uma pena que ele ainda não foi lançado no Brasil né?! Fico a mercê de tradução para que possa ler, e pelo jeito seria uma história que ficaria vidrada. Já a espera da resenha do último livro. Adorei!
    Beijos

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  9. Oi
    essa história chamou minha atenção, parece ser legal de se ler, pena que o ritmo foi um pouco lentos, mas quem sabe no próximo a história fique mais dinâmica, gostei da capa.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  10. Nossa, eu adorei essa capa, realmente muito linda!
    Acho que mesmo com as ressalvas que tu fez, seria uma leitura que eu faria, eu gosto de livros mais calmos, acho que isso faz com que eu tenha mais tempo pra absorver tudo que ta rolando sabe HAHAHAHAHA e eu também tô a procura de livros orientais, com toda certeza vou apostar!!
    Adorei seu post e suas fotos, ficaram incriveis!!

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  11. Olá, Ivy.
    Já estou aqui na torcida para o livro vir para O Brasil. Tudo o que você ressaltou na resenha já me fez ficar fascinada pela história. E adoro conhecer outras culturas, por isso acredito que vou gostar.

    Prefácio

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  12. Eu sempre tive vontade de ler esse livro, mas só enrolo... agora com esse lance da narrativa ser meio parada, estou considerando se realmente vou ler mesmo kkkkkk
    Beijos
    Balaio de Babados

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  13. Olá,
    Uma pena sobre o ritmo, mas fiquei curiosa porque adoro bruxas, e ainda mortos - sim sou doida kkkk
    Espero que venha pra cá.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  14. Olá!
    Eu acho as capas dessa trilogia tão lindas! Mas ainda não foram publicadas no Brasil, né? Eu vejo uma moça que acompanho falar super bem desse primeiro livro e morro de curiosidade para lê-lo, mas como não leio em inglês só me resta esperar. Eu adoro histórias com bruxas e não ligo para cenas de ação, então acho que pode me agradar.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  15. Oi, Ivy!

    Poucos livros de fantasia costumam me chamar a atenção e achei esse super interessante, foi difícil não ficar curiosa depois da sua opinião, principalmente por ser bem ambientado e com um enredo desses!

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